Olimpíadas: Enfermeira no Canadá, Nicole Silveira se destaca no skeleton

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Nicole Silveira durante disputa de etapa da Copa do Mundo de Skeleton em Winterberg, na Alemanha, em dezembro de 2021 (Foto: Dean Mouhtaropoulos/Getty Images)
Nicole Silveira durante disputa de etapa da Copa do Mundo de Skeleton em Winterberg, na Alemanha, em dezembro de 2021 (Foto: Dean Mouhtaropoulos/Getty Images)

Um dos grandes nomes da equipe brasileira que participa dos Jogos de Inverno na China é Nicole Silveira. Detalhe: a atleta gaúcha de Rio Grande, que estreia na disputa da prova do skeleton, concilia profissão de enfermeira e o esporte no gelo. Nestes tempos difíceis de Covid-19, ela atuou na linha de frente e trabalhou em casas particulares. Sua outra luta é para ficar entre as dez melhores na prova.

A competidora é um dos 11 atletas convocados (dez titulares e um reserva) que disputará o evento em Pequim com as cores da bandeira brasileira. O grupo não ultrapassará os 13 que foram aos Jogos de Sochi (Rússia), em 2014.

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A brasileira, de 27 anos, que vive no Canadá, figura entre as 20 melhores atletas do esporte no mundo devido ao ótimo desempenho nos últimos dois anos.

Além de ser medalhista de ouro na Copa América, vencendo seis etapas, ela vem acumulando bons resultados em etapas da Copa do Mundo de Skeleton, ficando em 19º lugar em Winterberg (Alemanha) e 18º em Saint Moritz (Suíça), realizada em janeiro de 2022.

O desempenho em Saint Moritz a colocou em 18º no ranking internacional da modalidade e garantiu sua vaga nas Olimpíadas de Pequim.

Multiesportista

Vivendo no Canadá desde os sete anos com a família que deixou o Brasil por problemas nos negócios [tinham uma padaria], Nicole chegou a voltar ao país, mas o capítulo importante de sua vida seria mesmo na América do Norte. Fixou-se na província de Alberta, em Calgary, anfitriã dos Jogos de Inverno de 1988. E trabalha forte no Verão nesta cidade visando sua manutenção da outra paixão de inverno: o esporte que executa no frio. O Canadá oferece estrutura fantástica para as modalidades no gelo e onde vive outra brasileira, a experiente Jaqueline Mourão, do esqui cross-country, que faz a oitava Olimpíada.

Nem só de esporte no gelo viveu Nicole. Transitou antes por várias modalidades. A moça foi fisiculturista até 2017. Passou pelo rúgbi, dança ginástica artística e foi boleira. No futebol jogou durante uma década, esporte que lhe deu a oportunidade de financiar o curso de enfermagem. Ao trabalhar também com loja de suplementos, pôde ser informada por amiga da oportunidade de participar de outra modalidade no gelo: o bobsled. Encarou, mas não por muito tempo: esteve na posição de breakwoman (responsável por frear o trenó). Na verdade, falou mais alto a não classificação para os Jogos de Inverno de 2018 em Pyeongchang, na Coréia do Sul. Então partiu para o skeleton através de convite da CBDG (Confederação Brasileira de Desportos no Gelo)

Yahoo Esportes: Como é ser enfermeira e também atleta do skeleton?

Nicole Silveira: É algo difícil para conciliar. Mas é outra paixão como esporte. No caso de ter atuado na linha de frente da Covid-19 foi particularmente desafiador. E vidas importam. Nunca vou deixar de ser enfermeira. No skeleton adorei assim que iniciei a modalidade porque me deu uma autonomia.

Quais os segredos para praticar o skeleton?

Não sei se há segredo. Existe a receita para todo atleta poder performar em grande estilo que é treinar muito, ter muito foco e muita disciplina. Sou muito disciplinada porque sei que só assim vou alcançar grandes voos na carreira.

Quem são os grandes favoritos a títulos?

Austrália, Holanda, Canadá, Itália, Estados Unidos, Alemanha. São muitos países fortes e têm atletas com grande potencial. Difícil apontar competidora favorita.

O que você espera atingir na China?

Participei do evento teste onde serão disputadas as provas do skeleton e fiquei na oitava colocação. Eu amei a experiência e espero conseguir um grande resultado.

Qual dica você daria para algum atleta que tem interesse em disputar modalidades no gelo?

Primeiro, é preciso saber que vida de atleta, seja qual for a modalidade, não é fácil. E recomendo também me acompanharem nas redes sociais e a CBDG (@icebrasil, no Instagram). Por lá informamos quando acontecem seletivas e tudo mais. É um bom começo para quem ainda não conhece tanto a modalidade.

Como funciona o skeleton

O skeleton, que é considerado dos esportes de inverno dos mais radicais, será disputado entre os dias 10 e 12 de fevereiro. A modalidade surgiu na Suíça no século 19. A disputa é feita individualmente, na qual o participante se lança em um trenó de barriga para baixo e desce de cabeça, literalmente, a pista. Os atletas fazem de duas a quatro descidas (as velocidades atingem cerca de 125 quilômetros por hora em pouco mais de um minuto) e vence quem tiver o menor tempo total. Na verdade, o skeleton partiu da criação do inglês Mr Child desenvolvendo um novo tipo de trenó fabricado em metal. Este modelo se popularizou e sua semelhança com um esqueleto humano acabou por batizar a modalidade, já que skeleton significa esqueleto em inglês.

A disputa do skeleton em Pequim

Para o dia D dos Jogos, os atletas terão novidades: a pista chinesa dos oferecerá novo loop de 360 graus e a velocidade na prova poderá chegar a 130 km/h. Entre os homens, Martin Dukurs, atleta da Letônia, tenta o ouro inédito. Seis vezes campeão mundial, o Iron Man (Homem de Ferro) conquistou medalhas, mas não a que falta em sua galeria. Ele terá como rival o campeão olímpico da Coréia do Sul, Yun Sung-bin, que se recupera das sequelas da Covid-19. Serão 50 competidores (entre feminino e masculino).

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