Omar Aziz e Renan Calheiros se revoltam com Wajngarten: "Está exagerando na mentira"

Former Brazil's Chief of the Secretariat of Social Communication (SECOM) Fabio Wajngarten speaks during a meeting of the Parliamentary Inquiry Committee (CPI) to investigate government actions and management during the coronavirus disease (COVID-19) pandemic, at the Federal Senate in Brasilia, Brazil May 12, 2021. REUTERS/Adriano Machado
Fabio Wajngarten depõe a CPI da Covid nesta quarta-feira (12) (Foto: REUTERS/Adriano Machado)
  • Omar Aziz e Renan Calheiros se irritadas com Fabio Wajngarten

  • Ambos reclamava que ex-secretário de Comunicação não respondia as perguntas diretamente

  • Wajngarten foi acusado de estar mentindo para a CPI

O presidente da CPI da Covid no Senado, Omar Aziz (PSD-AM), e o relator, Renan Calheiros (MDB-AL), demonstraram irritação com o depoimento do ex-secretário de Comunicação, Fabio Wajngarten. Os líderes da comissão disseram que Wajngarten está "exagerando na mentira" durante o depoimento. 

Escapando de diversas perguntas e mudando a versão dada em abril à revista Veja, Wajngarten deixou Aziz e Calheiros nervosos. "O senhor só está aqui por causa da revista Veja, se não fosse isso, ninguém lembraria que você existia, não tem outra razão para estar aqui. É baseado no que você falou", disse Omar Aziz. 

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"Você chamou o Pazuello de incompetente na revista, você disse que a Pfizer tinha cinco escritórios de advocacia e o governo estava perdido... É essa a única razão. Ninguém nem chamaria o senhor aqui. Não tinha porque chama-lo. O senador Renan está sendo muito claro, e aí eu peço até para as pessoas que apoiam o governo, ele nem seria chamado. Foi chamado porque deu uma entrevista e se ofereceu para estar aqui", continuou o presidente da CPI. 

"E ele está aqui tangenciando sobre as perguntas. Depois a gente toma uma medida mais radical, e aí vão falar que somos isso e aquilo. Por favor, não menospreze a nossa inteligência, ninguém é imbecil aqui", afirmou Aziz. "O senhor está mentindo para todos nós." 

Aziz alertou que, ao não falar a verdade, Wajngarten poderia sofrer consequências. "Vossa excelência tá confiando em que lá na frente, meu amigo? Porque deixa eu dizer uma coisa: isso tem consequências futuras. Só quem já enfrentou processo sabe que isso não acaba amanhã. A gente se sente meio protegido quando tem poder atrás da gente, depois que não tem poder, a gente fica abandonado e tem o arrependimento", disse. 

Mais uma vez, Wajngarten negou que tenha chamado Pazuello de incompetente. O vice-presidente da CPI, Randolfe Rodrigues, lembrou que a capa da revista Veja: "Houve incompetência". 

Renan voltou a pedir: "Não minta. Eu vou citar um fato aqui que vossa excelência exagerou na mentira, aqui no depoimento. Vossa senhoria citou uma fala da campanha com o Otávio Mesquita como modelo de esclarecimento, mas mentiu para a CPI". O relator, então, foi interrompido e Aziz pediu um intervalo de cinco minutos. 

Na volta, Aziz alertou que, caso Wajngarten não seja objetivo no depoimento, será dispensado. A CPI pediria a gravação da entrevista dada à Veja e, em seguida, o ex-Secom seria convocado novamente - não como testemunha, mas como investigado. 

Ao retomar a fala, Renan Calheiros citou que Otávio Mesquita participou de uma campanha do governo federal contra o isolamento social. Wajngarten havia dito que o apresentador fez parte de uma campanha de combate à pandemia de covid-19. 

Sobre a CPI da Covid no Senado

O que deve ser investigado pela CPI

  • Ações de enfrentamento à Pandemia, incluindo vacinas e outras medidas como a distribuição de meios para proteção individual, estratégia de comunicação oficial e o aplicativo TrateCOV;

  • Assistência farmacêutica, com a produção e distribuição de medicamentos sem comprovação

  • Estruturas de combate à crise;

  • Colapso no sistema de saúde no Amazonas;

  • Ações de prevenção e atenção da saúde indígena;

  • Emprego de recursos federais, que inclui critérios de repasses de recursos federais para estados e municípios, mas também ações econômicas como auxílio emergencial.

Quem é o relator da CPI, Renan Calheiros

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que vai apurar eventuais omissões do governo federal no combate à pandemia terá como relator o senador Renan Calheiros (MDB-AL). O colegiado será presidido por Omar Aziz (PSD-AM) e o vice-presidente será o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP).

Crítico ao governo Jair Bolsonaro, Renan Calheiros será responsável por dar o rumo aos trabalhos e produzir o texto final, que pode ser encaminhado ao Ministério Público e a outros órgãos de controle.

É um dos nomes mais antigos no Senado brasileiro. Ele está há 26 anos na Casa e tem mandato até janeiro de 2027. Foi três vezes presidente do Senado, além de ministro da Justiça no governo FHC. É pai do governador de Alagoas, Renan Filho (MDB).

Crítico ao governo de Jair Bolsonaro, nesta semana, Renan Calheiros defendeu que o MDB apoie o ex-presidente Lula na eleição presidencial de 2022.

Como vai funcionar a CPI no Senado

O que diz a Constituição?

A Constituição estabelece que são necessários três requisitos para que uma CPI possa funcionar: assinaturas de apoio de um terço dos parlamentares da Casa legislativa (no caso do Senado são necessários 27 apoios); um fato determinado a ser investigado; e um tempo limitado de funcionamento.

Quanto tempo pode durar uma CPI?

Depende do prazo que o autor do requerimento estipular. No caso da CPI da Covid, o prazo inicial é de 90 dias, conforme requerimento do senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) de 15 de janeiro.

Quais os poderes de uma CPI?

Poderes de investigação próprios dos juízes, além de outros previstos nos regimentos das respectivas Casas. No Senado, os membros da CPI podem realizar diligências, convocar ministros de Estado, tomar o depoimento de qualquer autoridade, inquirir testemunhas, sob compromisso, ouvir indiciados, requisitar de órgão público informações ou documentos de qualquer natureza e ainda requerer ao Tribunal de Contas da União a realização de inspeções.

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