Ômicron: Butantan aposta na plataforma da Coronavac contra nova variante

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A healthcare worker prepares a dose of the CoronaVac COVID-19 vaccine at a drive-thru vaccination post in Brasilia on September 13, 2021. - Brazil is one of the fastest vaccinating countries on the planet, after a late and chaotic start that continues to take its toll on President Jair Bolsonaro. (Photo by EVARISTO SA / AFP) (Photo by EVARISTO SA/AFP via Getty Images)
Coronavac é uma vacina de vírus inativado, baseada na composição total do vírus, não apenas na proteína S, como no caso dos imunizantes de RNA (Foto: Evaristo Sá/AFP via Getty Images)
  • Instituto Butantan acredita que Coronavac seja capaz de proteger população contra Ômicron

  • Grande diferença da nova variante está na proteína S, que sofreu diversas mutações

  • Enquanto vacinas da RNA se baseiam na proteína S, as de vírus inativado levam em conta o vírus como um todo

A expectativa do Instituto Butantan é que a Coronavac mostre boa eficácia para proteger as pessoas contra a variante Ômicron. Isso se deve à plataforma usada pelo imunizante, de vírus inativado. A diferença da Ômicron para outras cepas já conhecidas é justamente a proteína S – usado para fazer as vacinas da RNA, como Pfizer e Moderna.

“Eu diria que a eficácia da Coronavac é a que tem menos chance de ser burlada”, avaliou a vice-diretora do Butantan, Maria Carolina Sabbaga, em entrevista ao Estadão. Serão feitos estudos para confirmar essa hipótese.

Vacinas de vírus inativado são desenvolvidas com base na composição completa do vírus, não apenas na proteína S. Ao Yahoo! Notícias, Anderson F. Brito, virologista e pesquisador científico do Instituto Todos pela Saúde (ITpS), explica que a Ômicron tem um padrão de mutações que afeta principalmente a proteína Spike, ou proteína S. Esse é o mecanismo usado pelo vírus para entrar nas nossas células.

“As mudanças na Spike afetam principalmente uma região específica da proteína usada para interagir com os nossos receptores celulares. É como se a chave que o vírus usa para entrar nas células tivesse mudado de forma drástica”, afirma.

Pfizer, AstraZeneca e Janssen, todas usadas no Brasil, além da Moderna, já estudam a eficácia da versão atual das vacinas, além de já terem começado a produzir uma nova possibilidade, dedicada à prevenção da Ômicron.

O Instituto Butantan, por sua vez, ainda não iniciou os estudos para verificar a eficácia do imunizante contra a Ômicron. Na China, a Sinovac anunciou que já começou o processo para averiguar se há, ou não, necessidade de desenvolver uma nova vacina. Mas, caso seja confirmado que é preciso fazer uma nova versão da Coronavac, a Sinovac acredita que o processo seria rápido.

Ainda sobre a Ômicron, Maria Carolina Sabbaga acredita ser cedo para avaliar os efeitos da nova variante. Ela lembrou do caso da Delta, que afetou diversos países, mas não o Brasil intensamente. “Não é porque é forte na África que vai ser forte aqui. As variantes mudam muito geograficamente”, disse.

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