Mundo encara Ano Novo com mais de um milhão de casos diários de covid

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Enfermeira em uma UTI de covid-19, em um hospital na periferia de Paris, em 29 de dezembro de 2021 (AFP/ALAIN JOCARD)

Milhões de pessoas no mundo inteiro se preparavam, nesta quinta-feira (30), para celebrações de Ano Novo drasticamente limitadas pela propagação meteórica da covid-19, com mais de um milhão de novos casos diários registrados no planeta, na semana de 23 a 29 de dezembro.

Nos últimos sete dias, mais de 7,3 milhões de novos casos de coronavírus foram detectados em todo mundo, o que representa uma média de 1.045.000 infecções diárias, conforme balanço da AFP feito com base em dados oficiais.

Em escalada desde meados de outubro, o número de infecções no mundo cresceu 46% nesta última semana, em comparação com a semana anterior. Supera, em muito, o recorde anterior à onda atual, alcançado entre 23 e 29 de abril de 2021, com 817.000 casos diários.

Uma parte significativa dos casos menos graves, ou assintomáticos, continua sem ser detectada, apesar da intensificação dos testes em muitos países desde o início da pandemia, em dezembro de 2019. Além disso, as políticas de testes diferem de um país para o outro.

Mais de 85% das infecções atuais se concentram entre duas regiões onde a ômicron está muito presente: Europa (4.022.000 casos nos últimos sete dias, ou seja, 36% a mais que na semana anterior) e Estados Unidos e Canadá (2.264.000 casos, +83%). Nesta última semana, a pandemia diminuiu apenas na Ásia (268.000 casos, -12%).

Neste mesmo intervalo, o mundo registrou cerca de 6.400 mortes relacionadas ao coronavírus (6% a menos que na semana anterior), o menor nível desde outubro de 2020. No pior momento da pandemia, entre 20 e 26 de janeiro, chegou-se a 14.800 óbitos por dia.

Até o momento, esta nova explosão de casos não se traduziu em um aumento no número de mortos, que há três semanas vem caindo ao redor do mundo. O total de vítimas fatais da pandemia da covid-19 até agora é de mais de 5,4 milhões de pessoas.

- Retomada das restrições

Do México a Atenas, de Paris a São Paulo, as festas de fim de ano foram ofuscadas pela nova onda, que está levando muitos países a reimporem restrições.

"A música será proibida" em bares e restaurantes, anunciou o ministro grego da Saúde, Thanos Plevris, em uma mensagem transmitida pela televisão.

O objetivo é tentar limitar a vontade de seus compatriotas de saírem de casa na virada do ano.

"Bares e restaurantes vão fechar à meia-noite. Para a festa de 31 de dezembro, estarão autorizados a permanecerem abertos até as 2 da manhã, mas sempre sem música", frisou.

A Grécia registrou um novo recorde de infecções diárias nas últimas 24 horas, a exemplo de outros outros países que vêm atingindo, há dias, picos de casos diários, como França, Reino Unido e Espanha.

Na França, os estabelecimentos de entretenimento noturno, como "clubs" e boates, ficarão fechados por várias semanas. Em Paris, os bares deverão fechar às 2 da manhã.

Na Cidade do México e em São Paulo, as autoridades cancelaram as comemorações do Ano Novo, devido ao coronavírus. No Rio de Janeiro, a prefeitura cancelou shows e os tradicionais fogos de artifício serão disparados em nove pontos diferentes da cidade para evitar a concentração excessiva do público.

Restrições parecidas se multiplicam por toda parte.

Na Alemanha, por exemplo, que decretou medidas duras, o ministro da Saúde, Karl Lauterbach, alertou que elas "não serão o suficiente" contra a ômicron, variante que provocará um "crescimento líquido" de casos nas próximas semanas.

Nesta quinta, o Serviço Nacional de Saúde da Grã-Bretanha anunciou que começará a instalar hospitais de campanha temporários. Segundo o órgão, o objetivo é amenizar a sobrecarga no setor e evitar o não atendimento, se houver uma disparada no número de internações.

Na Indonésia, com mais de 4,2 milhões de casos confirmados, o governo advertiu que turistas estrangeiros serão deportados da ilha de Bali, se forem pegos violando as regras sanitárias no período de festas.

Na Arábia Saudita, as autoridades voltaram a impor medidas de distanciamento social na Grande Mesquita da cidade santa de Meca, após registrar o maior número de casos de coronavírus em meses.

- "Tsunami" de contágios -

A Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou sobre um "tsunami" de casos de covid-19 relacionados com a variante ômicron, a qual está colocando os sistemas de saúde, mais uma vez, "à beira do colapso" e tem atingido as celebrações de fim de ano em muitos lugares.

"Estou extremamente preocupado que a ômicron, ao ser mais transmissível e circular ao mesmo tempo que a delta, esteja provocando um tsunami de casos", declarou o diretor da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, em entrevista coletiva.

"Isso está e continuará colocando uma pressão imensa sobre os esgotados trabalhadores da saúde, e os sistemas de saúde estão à beira do colapso", acrescentou.

"O risco global relacionado com a nova variante ômicron permanece muito alto", frisou a OMS em seu relatório epidemiológico semanal.

A maioria das novas infecções foi registrada na Europa, onde vários países alcançaram novos máximos históricos na quarta-feira (29).

O Reino Unido tem mais de 10.000 pessoas internadas com covid-19, o número mais alto no território desde março.

A Dinamarca é o país com mais casos novos em relação à sua população e pulverizou seu recorde, com 23.228 novas infecções.

Apesar de ostentar altas taxas de vacinação de sua população, a Espanha ultrapassou, pela primeira vez, 100.000 casos diários, após vários dias consecutivos atingindo máximos.

A nova onda também afeta os Estados Unidos, que alcançaram seu teto de infecções (mais de 265 mil), assim como América Latina e Caribe. A região agora acumula mais de 47 milhões de casos e quase 1,6 milhão de mortes.

A Argentina registrou um recorde diário, com 42.032 casos e 26 mortes. O máximo anterior correspondia a 27 de maio passado, com 41.020 infectados e 551 falecimentos.

Na Colômbia, o governo advertiu ontem que o país está diante de um novo pico da pandemia. A Bolívia também registrou um recorde histórico de 4.934 infecções diárias.

Na China, os moradores da cidade de Xi'an, onde 13 milhões de pessoas permanecem confinadas, reclamam da dificuldade de conseguir alimentos. O governo chinês afirma que a situação está controlada.

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