OMS alerta seis países da África por risco de surtos de Ebola

O Globo e agências internacionais
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GENEBRA — A Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou nesta terça-feira seis países da África sobre potenciais casos de Ebola após novos surtos na Guiné e na República Democrática do Congo. A ameaça do vírus pressiona o sistema de saúde do primeiro país, já sobrecarregado com a Covid-19.

Guiné declarou novo surto de Ebola no domingo, no primeiro ressurgimento da doença na África Ocidental desde o surto registrado entre 2013 e 2016, enquanto a República Democrática do Congo informou o o ressurgimento do vírus em 7 de fevereiro.

— Já alertamos os seis países no entorno, incluindo, claro, Serra Leoa e Libéria, e eles estão agindo bem rápido para se preparem e observarem qualquer infecção potencial — disse Margaret Harris, da OMS, que não especificou os outros países. Também fazem fronteira com Guiné o Mali, Costa do Marfim e Guiné Bissau.

Harris acrescentou que as autoridades de saúde identificaram quase 300 contatos de Ebola no Congo e cerca de 109 na Guiné.

Identificado pela primeira vez em Zaire, atual República Democrática do Congo, em 1976, o vírus Ebola provoca febre alta, dor de cabeça, vômitos e diarreia. Sua transmissão ocorre através de fluidos corporais. Não há transmissão por portadores assintomáticos, como ocorre com a Covid-19.

No momento, existem duas vacinas experimentais, mas não há nenhum tratamento capaz de curar o vírus, que já provocou o terror várias vezes na África.

O desenvolvimento de vacinas contra esta febre hemorrágica se acelerou depois do último surto, que começou em dezembro de 2013 na Guiné e se propagou para a Libéria e Serra Leoa, mas acabou alcançando um total de dez países com casos na Espanha e Estados Unidos.

A epidemia matou mais de 11.300 dos cerca de 29 mil casos registrados, de acordo com a OMS, que declarou o fim da epidemia em março de 2016.

A segunda epidemia de ebola mais grave, que também foi a segunda na República Democrática do Congo, foi declarada em agosto de 2018 no leste do país. Terminou oficialmente em junho de 2020, com saldo de 3.481 casos e 2.299 mortes, segundo a OMS.