OMS considera insustentável política chinesa de Covid zero

GENEBRA — A política de Covid Zero adotada pelo governo chinês para conter a pandemia é "insustentável", afirmou nesta terça-feira o diretor-geral da Organização Mundial de Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, garantindo que já conversou sobre o assunto com especialistas chineses.

A estratégia foi adotada pelo governo chinês desde o início da pandemia e consiste em interromper barreiras de transmissão ao determinar quarentenas rígidas, bloquear ruas, testar em massa os cidadãos e transferir moradores infectados para centros de confinamento.

— Quando falamos da estratégia de Covid zero, acreditamos que é insustentável, considerando-se a evolução atual do vírus e nossas previsões — disse Tedros em entrevista com jornalistas em Genebra.

Para o diretor de Situações de Emergência da OMS, Michael Ryan, "é hora de apertar o botão de reiniciar". Ryan lembrou que durante algum tempo, a estratégia permitiu à China apresentar um resultado de poucas mortes em relação à sua população. Mas as medidas, alertou, devem respeitar os direitos humanos.

— É algo que a China quer proteger. Mas todas as suas ações, como repetimos desde o início, devem ser tomadas com respeito às pessoas e aos direitos humanos — reconheceu o dr. Ryan, afirmando que é esperada uma reação do governo diante do aumento do número de mortes em fevereiro e março deste ano.

No final da semana passada, a China voltou a anunciar que mantinha sua estratégia de Covid zero, apesar da crescente insatisfação da população em Xangai, onde moradores confinados protestam batendo panelas nas janelas.

O gigante asiático enfrenta sua pior onda epidêmica desde de 2020 e segue aplicando a mesma política de quando o vírus sofreu mutações e, com a variante Delta, tornou-se muito mais contagioso do que a cepa original detectada em Wuhan, na China em 2019.

Desde que a variante, que surgiu na Índia e é cerca de 60% mais contagiosa que outras cepas, tornou-se dominante no mundo, países como Taiwan e Austrália abandonaram a estratégia restrita, mudando para uma abordagem que almeja uma maior convivência com o vírus.

A China, no entanto, insiste em adotar a Covid Zero, que embora tenha minimizado as mortes pelo coronavírus no país, pesou fortemente na segunda maior economia do mundo.

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