OMS declara surto de ebola em Uganda encerrado

A Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou o surto de ebola em Uganda encerrado nesta quarta-feira após quase quatro meses desde que o primeiro caso foi detectado no país, no distrito de Mubende em 20 de setembro do ano passado. Causada pela variante do Sudão do vírus, que ainda não pode ser prevenida por vacinas, a onda da doença foi a pior em duas décadas registrada na nação africana.

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“Uganda pôs um fim rápido ao surto de Ebola, intensificando as principais medidas de controle, como vigilância, rastreamento de contatos e infecções, prevenção e controle. Embora expandíssemos nossos esforços para implementar uma resposta forte nos nove distritos afetados, a bala mágica foram nossas comunidades que entenderam a importância de fazer o que era necessário para acabar com o surto e agiram”, celebra a médica Jane Ruth Aceng Acero, ministra da Saúde de Uganda, em comunicado.

Esse foi o quinto surto do ebola já detectado no país provocado pela variante do Sudão, o anterior tendo sido registrado há uma década. No total, foram mais de 100 casos informados pelas autoridades de saúde com 55 óbitos, uma taxa de letalidade que, segundo a OMS, foi de 47%. Mais de 4 mil pessoas foram monitoradas por terem relatado contado com um infectado. O último paciente a receber alta foi liberado no dia 30 de novembro, quando se iniciou a contagem de 42 dias necessários sem novos diagnósticos para declarar o fim do surto.

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“Parabenizo Uganda por sua resposta robusta e abrangente que resultou na vitória de hoje sobre o Ebola. Uganda mostrou que o Ebola pode ser derrotado quando todo o sistema funciona em conjunto, desde a instalação de um sistema de alerta até a localização e atendimento das pessoas afetadas e seus contatos, até a obtenção da participação total das comunidades afetadas na resposta. As lições aprendidas e os sistemas implementados para este surto protegerão os ugandenses e outros nos próximos anos”, diz o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus.

Existem cinco tipos conhecidos de ebolavirus. Há vacinas disponíveis para a espécie mais comum, o Zaire, responsável pela maioria dos surtos registrados no continente africano, como o de 2014, que deixou mais de 11 mil mortos em países da África Ocidental. No entanto, não há imunizantes ou medicamentos para a variante do Sudão, o que levou a estratégia de contenção do surto a focar principalmente no rastreamento de contatos e em políticas de lockdown.

“Sem vacinas e terapias, este foi um dos surtos de Ebola mais desafiadores nos últimos cinco anos, mas Uganda manteve o curso e ajustou continuamente sua resposta. Dois meses atrás, parecia que o Ebola lançaria uma sombra sobre o país até 2023, quando o surto atingiu grandes cidades como Kampala e Jinja, mas esta vitória começa o ano com uma nota de grande esperança para a África”, afirma Matshidiso Moeti, diretor regional da OMS para o continente.

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A organização enviou cerca de US$ 6,5 milhões ao país para auxiliar na resposta à crise, e mais US$ 3 milhões para seis nações vizinhas se prepararem caso o vírus se disseminasse para além de Uganda.

Novas vacinas

A realidade de não haver vacinas para a variante do Sudão, porém, pode mudar, especialmente com a ajuda do surto recente. Por ser uma espécie menos comum do ebola, é difícil realizar testes de fase 3 dos imunizantes em desenvolvimento, que demandam uma exposição em vida real de pessoas que recebem a aplicação ao vírus.

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Por isso, a OMS reuniu esforços para levar três candidatas mais avançadas nos estudos à região. Com isso, a partir de uma colaboração com laboratórios e órgãos de saúde, mais de cinco mil doses chegaram ao país em dezembro. As unidades, no entanto, não chegaram a tempo para serem usadas no surto, mas ainda assim representam um avanço.

“Embora essas vacinas candidatas não tenham sido usadas durante este surto, elas continuam sendo a contribuição de Uganda e parceiros para a luta contra o ebola. Da próxima vez que o vírus do Sudão atacar, poderemos reacender a cooperação robusta entre desenvolvedores, doadores e autoridades de saúde e enviar as vacinas candidatas”, afirma Yonas Tegegn Woldemariam, representante da OMS em Uganda.