OMS diz que muitos países não fazem o suficiente contra coronavírus

Por Sébastien RICCI
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Várias pessoas fazem fila para comprar máscaras em Bangcoc, em 5 de março de 2020

A Organização Mundial da Saúde (OMS) citou uma "longa lista de países" que não estão fazendo o suficiente para impedir a propagação da epidemia de COVID-19, responsável pela adoção de medidas draconianas que deixaram quase 300 milhões de estudantes sem aulas e interromperam o turismo, atingindo muitas companhias aéreas.

Segundo a OMS, "não é hora de abandonar (...) ou encontrar desculpas, é hora de ir fundo" no enfrentamento da epidemia, disse à imprensa o diretor-geral da entidade, Tedros Adhanom Ghebreyesus,, que criticou a "longa lista" de países que não mobilizaram todos seus esforços.

E a epidemia está se espalhando como fogo em todo o mundo. Já deixou 3.346 mortos e 97.510 infectados, afeta 85 países em todos os continentes, exceto a Antártica, e atrapalha a vida cotidiana de um número crescente de países.

A Itália, como Irã, Índia, Coreia do Sul ou Japão, deu férias a seus estudantes por conta da doença.

O fechamento de 58 mil escolas, faculdades, institutos e universidades é uma medida sem precedentes na Itália, onde mesmo os bombardeios durante a Segunda Guerra Mundial não paralisaram as instituições de ensino.

A decisão foi "difícil" e com consequências econômicas "de peso", segundo o primeiro-ministro italiano Giuseppe Conte, que a adotou na véspera contra a opinião de alguns de seus assessores, segundo a imprensa italiana.

De acordo com a Organização das Nações Unidas para a Educação e a Cultura (Unesco), a epidemia COVID-19 fez com que 13 países decidissem pelo fechamento de escolas, afetando quase 300 milhões de estudantes, uma "decisão sem precedentes".

Há duas semanas, apenas a China, onde o vírus surgiu em dezembro, era o único país a adotar essa medida.

- Espaços confinados -

Transportes públicos, estádios, salas de espetáculos ou locais de culto, ou seja, todos os espaços fechados que acolhem grupos de pessoas devem ser evitados.

A Rússia cancelou seu principal fórum econômico marcado para junho em São Petersburgo.

O Parlamento Europeu transferiu sua sessão plenária prevista para a semana que vem em Estrasburgo para Bruxelas, devido à disseminação do vírus na França, onde 7 mortes e 138 casos foram registrados nas últimas 24 horas, elevando o número total de infectados a 423, afetando todo o país.

Na Grécia, em meio à crise migratória, 21 dos 24 passageiros de um ônibus, turistas que viajaram para Israel por vários dias, apresentaram resultado positivo para o coronavírus, aumentando o número de casos no país para 31.

Muitos países tomam medidas para proibir a entrada em seu território de viajantes de áreas de risco ou impor quarentenas para tentar se proteger da epidemia.

Pelo menos 36 países impuseram restrições à entrada de pessoas da Coreia do Sul, de acordo com Seul, e outros 22 impuseram medidas de quarentena.

A Autoridade Palestina proibiu na quinta-feira o turismo por duas semanas na Cisjordânia, onde fechou a Basílica da Natividade em Belém, local de nascimento de Jesus, segundo a tradição cristã, após o aparecimento de sete casos neste território ocupado por Israel.

- China, o país mais afetado -

A China continua sendo o país mais afetado, com 80.409 casos e 3.012 mortos (sem contar os territórios de Hong Kong e Macau).

Em seguida vem Coreia do Sul (6.088 novos -467 casos- e 35 mortos), Itália (3.858 casos, contra 3.089 do dia anterior e 148 mortos), Irã (3.513 casos, 591 novos e 107 mortos).

Como a Suíça, o Reino Unido anunciou nesta quinta-feira uma primeira morte pela epidemia, uma pessoa idosa que sofria de outra patologia.

O vírus afeta novos países todos os dias. A África do Sul registrou o primeiro caso confirmado, um homem de 38 anos que esteve recentemente na Itália, e o Chile já tem quatro casos.

Na Argélia, 16 membros da mesma família na região de Blida, perto de Argel, foram infectados pelo coronavírus depois de terem entrado em contato com argelinos que moravam na França, segundo o Ministério da Saúde do país.

O mundo do esporte também foi afetado. A partida de rúgbi entre as seleções da Itália e Inglaterra pelo Torneio das Seis Nações, marcada para 14 de março em Roma, foi adiada, assim como a maratona de Paris, originalmente marcada para 5 de abril com 6.000 inscritos, que agora será realizada em 18 de outubro.

No entanto, um alto funcionário da saúde dos Estados Unidos informou nesta quinta-feira que a taxa geral de mortalidade para o novo coronavírus é estimada em 1% ou menos, menor do que se pensava.

- Tráfego aéreo -

Em poucas semanas, máscaras, géis desinfetantes, luvas e roupas de proteção foram vendidos em muitos países, que tomaram medidas para proibir a exportação de suprimentos médicos.

A China agora teme novas infecções de indivíduos que retornam ao país, como um estudante chinês que estava no Irã em voltou para Xangai na segunda-feira.

A quarentena na província de Hubei, e principalmente em sua capital Wuhan - epicentro da epidemia -, desde o final de janeiro parece ter dado frutos, pois o número de novas mortes está caindo e mais de 50.000 pessoas se recuperaram.

No entanto, essas medidas draconianas paralisaram a economia do gigante asiático e ameaçam o crescimento global.

Vítima colateral, a companhia aérea britânica Flybe cancelou suas operações, atingida por uma queda brutal no tráfego aéreo no mundo.

No total, as companhias aéreas mundiais podem perder 113 bilhões de dólares em receita, uma crise "quase sem precedentes", afirmou nesta quinta-feira a Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA).