OMS diz que dados da China não refletem realidade de casos e mortes por Covid-19

Área de hospital em Xangai em meio a surto de Covid-19

Por Jennifer Rigby e Gabrielle Tétrault-Farber

GENEBRA (Reuters) - Os dados de Covid-19 da China não fornecem uma imagem precisa da situação no país e não representam o número real de hospitalizações e mortes pela doença, disse uma autoridade da Organização Mundial da Saúde (OMS) nesta quarta-feira.

O comentário foi feito enquanto a agência da ONU se prepara para encontrar cientistas chineses novamente na quinta-feira, como parte de um encontro mais amplo entre os Estados-membros sobre a situação global da Covid-19.

"Acreditamos que os números atuais divulgados na China não representam o verdadeiro impacto da doença em termos de internações hospitalares, em termos de internações em UTI e principalmente em termos de mortes", disse Mike Ryan, diretor de emergências da OMS, a repórteres.

Ele disse que a OMS acredita que a definição do governo chinês para a morte é "muito estreita".

"Ainda não temos dados completos", disse Ryan.

No mês passado, o país mais populoso do mundo estreitou sua definição para classificar as mortes relacionadas à Covid-19, contando apenas aquelas envolvendo pneumonia ou insuficiência respiratória causada pelo coronavírus, o que chamou a atenção de especialistas de saúde no mundo todo.

O país registrou cinco ou menos mortes por dia desde a inversão da política sanitária, mas muitas funerárias e hospitais chineses dizem que estão sobrecarregados, e especialistas de saúde internacionais preveem pelo menos 1 milhão de mortes relacionadas à Covid-19 na China este ano sem ação urgente.

No início do encontro, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, reiterou que a agência está "preocupada" com o aumento das infecções por Covid-19 na China e insistiu novamente a Pequim para fornecer dados rápidos e regulares sobre hospitalizações e mortes no país, bem como dados de sequenciamento viral em tempo real.

"A OMS está preocupada com o risco de vida na China e reiterou a importância da vacinação, incluindo doses de reforço para proteger contra hospitalização, doenças graves e morte".

(Reportagem de Jennifer Rigby, em Londres; Gabrielle Tetrault-Farber, em Genebra; e Leroy Leo, em Bengaluru)