OMS e agências pedem suspensão de comércio de mamíferos selvagens em mercados de alimentos

Stephanie Nebehay
·2 minuto de leitura
Funcionários em trajes de proteção durante trabalho de desinfecção do mercado de Huanan, em Wuhan, na China

Por Stephanie Nebehay

GENEBRA (Reuters) - Agências internacionais, incluindo a Organização Mundial da Saúde (OMS), pediram aos países nesta terça-feira que suspendam a venda de mamíferos selvagens vivos no mercado de alimentos, alertando que eles podem ser fonte de mais de 70% das doenças infecciosas emergentes em humanos.

A orientação, que visa garantir que o sistema alimentar global seja seguro e sustentável, segue uma missão liderada pela OMS em Wuhan, na China, para investigar a origem do novo coronavírus, causador da Covid-19.

"Essas e outras recomendações contribuirão para reduzir o risco de zoonoses emergentes", disse Peter Ben Embarek, autoridade da OMS que liderou a missão de janeiro a fevereiro, em um tuíte.

A OMS, a Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) e o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) pediram às autoridades nacionais que "suspendam o comércio de animais mamíferos selvagens capturados vivos para fins de alimentação ou reprodução e fechem as seções dos mercados de alimentos que vendem mamíferos selvagens capturados vivos, como medida de emergência, a menos que regulamentos eficazes demonstráveis e avaliação de risco adequada estejam em vigor".

Eles disseram que os animais, principalmente os selvagens, são a fonte de mais de 70% de todas as doenças infecciosas emergentes em humanos.

A China proibiu no ano passado o comércio de animais selvagens para consumo humano, mas brechas na lei permitem que algumas espécies propensas a doenças sejam cultivadas, de acordo com especialistas regionais.

"Esta não é uma recomendação nova, mas a Covid-19 chamou atenção para essa ameaça, dada a magnitude de suas consequências", disse a porta-voz da OMS Fadela Chaib em coletiva de imprensa.

A equipe liderada pela OMS, que visitou o mercado de Huanan em Wuhan, onde as primeiras infecções por Covid-19 em humanos foram detectadas, disse que o novo vírus provavelmente foi transmitido de morcegos para humanos por meio de outro animal.

"Quando os animais selvagens são mantidos em gaiolas ou currais, abatidos e vestidos em áreas de mercado aberto, essas áreas ficam contaminadas com fluidos corporais, fezes e outros resíduos, aumentando o risco de transmissão de patógenos para trabalhadores e clientes e potencialmente resultando na disseminação de patógenos para outros animais do mercado", afirma a orientação das entidades.

A maioria das doenças infecciosas emergentes, como a febre de Lassa, a febre hemorrágica de Marburg e a doença viral Nipah, têm origens na vida selvagem, informou o relatório.

(Por Stephanie Nebehay)