OMS encerra inquérito em Wuhan; EUA e China mantêm divergências sobre Covid

Gabriel Crossley
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Porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Wang Wenbin, durante entrevista coletiva em Pequim

Por Gabriel Crossley

PEQUIM (Reuters) - A China pediu aos Estados Unidos nesta quarta-feira para convidar a Organização Mundial da Saúde (OMS) a investigar a origem do surto de Covid-19 no país, e as divergências sobre a pandemia continuaram depois que a OMS encerrou seu trabalho de campo na cidade chinesa de Wuhan.

Horas depois de a equipe da OMS revelar conclusões preliminares em uma coletiva de imprensa em Wuhan na terça-feira, Washington disse que quer analisar os dados usados pela equipe, que concluiu que o vírus causador da Covid-19 não surgiu em um laboratório de Wuhan e que morcegos continuam sendo uma fonte provável.

"Desejamos que o lado dos EUA consiga, como a China, manter uma atitude aberta e transparente e que seja capaz de convidar especialistas da OMS aos EUA para realizar pesquisa e inspeção de rastreamento de origem", disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Wang Wenbin, em uma entrevista coletiva de rotina, repetindo um pedido que a chancelaria tem feito ultimamente.

A origem da pandemia de coronavírus, que emergiu primeiramente em Wuhan no final de 2019, é altamente politizada, e a China vem forçando a versão de que o vírus tem suas raízes fora de suas fronteiras.

A porta-voz da Casa Branca, Jen Psaki, disse na terça-feira que o governo Biden não se envolveu no "planejamento e implantação" da investigação da OMS e que quer adotar uma abordagem independente de suas descobertas e dados subjacentes.

"Os EUA examinando independentemente os dados da OMS? É a OMS que deveria examinar os dados dos EUA", disse Hu Xijin, editor-chefe do Global Times, tabloide do estatal Diário do Povo do Partido Comunista governante, na rede social Weibo.

"Será que todos ouvimos errado, ou esta porta-voz é realmente tão descarada?"

Peter Ben Embarek, que comanda a equipe liderada pela OMS que passou quatro semanas na China – duas delas em quarentena –, disse que a investigação não mudou dramaticamente o quadro do surto, mas que o vírus pode ter cruzado fronteiras antes de chegar a Wuhan.

Além de descartar um vazamento em um laboratório, ele disse que alimentos congelados podem ser um meio de transmissão do vírus, o que reforçaria uma tese sustentada por Pequim, que atribui alguns focos de casos a embalagem de alimentos importados.