Menor incidência de raios pode reduzir causas do efeito estufa, diz estudo

Edimburgo (R.Unido), 12 fev (EFE).- A incidência de raios poderia diminuir 15% no final de século devido ao aumento da temperatura global, o que teria um impacto sobre os incêndios florestais e os gases que geram o efeito estufa, segundo revelou nesta segunda-feira um estudo da Universidade de Edimburgo.

A pesquisa, realizada por centros de Edimburgo, Leeds e Lancaster (Inglaterra) e publicada na revista "Nature Climate Change", se baseou em um novo método de estudo para calcular a incidência provável de relâmpagos durante as tempestades.

Ao contrário dos cálculos tradicionais baseados na altura das nuvens, o novo enfoque levou em conta o movimento de pequenas partículas de gelo que se formam e se movem dentro das nuvens.

As cargas elétricas se acumulam nestas partículas e se descarregam durante as tempestades, dando lugar a relâmpagos e trovões.

De acordo com as previsões que estimam que a temperatura global do planeta subirá uma média de 5 graus centígrados para o ano 2100, a pesquisa concluiu que haverá uma redução do número de raios.

Como consequência, será afetada a frequência de incêndios florestais, especialmente em regiões tropicais.

A menor incidência de relâmpagos poderia ter consequências também na forma como os gases do efeito estufa na atmosfera contribuem para a mudança climática.

A pesquisa quantificou em 1,4 bilhão os relâmpagos que se produzem a cada ano no mundo todo.

Declan Finney, professor da Universidade de Leeds, afirmou que a análise "questiona a confiabilidade das projeções prévias" sobre relâmpagos e "encoraja a seguir estudando os efeitos da mudança climática no gelo e nos raios".

"Os resultados proporcionam uma nova percepção dos prováveis impactos dos raios sobre a composição atmosférica e o clima no futuro", opinou Oliver Wild, professor da Universidade de Lancaster. EFE

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