OMS tira restrição sobre o uso de ibuprofeno para pacientes com coronavírus

CARLOS PETROCILO

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A OMS (Organização Mundial da Saúde) voltou atrás e disse que não há recomendação contra o uso do anti-inflamatório ibuprofeno para controlar sintomas do novo coronavírus.

A informação foi enviada à reportagem, nesta quinta-feira (19), pelo porta-voz da entidade Tarik Jasarevic.

A lista de medicamentos cujo princípio ativo é o ibuprofeno é bastante longa. Ela inclui remédios como o analgésico e antitérmico Advil, o Buscofem, indicado para cólicas menstruais, e o Artril, para artrite. Com o nome de Alivium, a droga também é receitada como antitérmico para crianças.

Segundo a OMS, a revisão da literatura não permite apoiar a restrição ao uso de medicamentos à base de ibuprofeno para o tratamento de febre em pessoas portadoras do novo coronavírus. Na terça (17), a recomendação da OMS era de restringir esse tipo de remédio.

"Também estamos em contato com médicos que tratam de pacientes com Covid-19 e não temos relatos de efeitos negativos do ibuprofeno, além de efeitos colaterais que limitam seu uso em determinada população", disse o porta-voz da OMS.

"Atualmente, com base nas informações, a OMS não é contrária a recomendar o uso de ibuprofeno."

No começo desta semana, o ministro da Saúde da França, Olivier Véran, havia solicitado para as pessoas com febre e suspeita de infecção pelo vírus que evitassem tomar anti-inflamatórios como o ibuprofeno. "Em caso de febre, tomem paracetamol. Os anti-inflamatórios poderiam ser um fator de agravação da infecção", declarou Véran em uma de suas redes sociais.

Na terça, o pedido do ministro francês foi reiterado pela OMS. O porta-voz da organização em Genebra, Christian Lindmeier, disse a repórteres que especialistas da ONU "estão analisando o assunto".

"Enquanto isso, recomendamos o uso de paracetamol e não usar ibuprofeno como automedicação. É importante", disse na ocasião.