OMT prevê queda de até 3% no número de turistas em 2020 por coronavírus

A Praça da Paz Celestial, em Pequim, fotografada do alto em 2019 (acima) e em 11/02/2020

O número de turistas no mundo sofrerá, em 2020, uma queda de 1% a 3% pela epidemia do novo coronavírus, podendo gerar um prejuízo de até US$ 50 bilhões para o setor - anunciou a Organização Mundial do Turismo (OMT) nesta sexta-feira (6).

Antes do aparecimento do novo coronavírus, a OMT estimava que, este ano, o número de turistas em nível mundial cresceria entre 3% e 4%, lembrou esta agência da ONU com sede em Madri.

O acentuado declínio do turismo mundial em 2020 significará perdas entre 30 e 50 bilhões de dólares, informou a agência.

Cerca de 1,5 bilhão de turistas viajaram pelo mundo no ano passado (mantendo um crescimento de 4% por ano).

Em 2018, de acordo com os dados mais recentes disponíveis, os viajantes gastaram cerca de 1,5 bilhão de dólares.

Com uma queda de 9% a 12%, a região mais atingida será a Ásia e o Pacífico, informou a OMT em comunicado. Essa região inclui a China, o país mais afetado, com mais de 80.000 casos e 3.000 mortos.

"As estimativas para outras regiões do mundo são prematuras, dada a velocidade com que a situação evolui", apontou o comunicado.

A epidemia de coronavírus afetará toda a cadeia de valor do turismo, mas "pequenas e médias empresas", que constituem 80% do setor, e "milhões de pessoas, muitas delas em comunidades, estão particularmente expostas (...) e vulneráveis, para as quais o turismo é a sua subsistência", disse o secretário-geral da OMT, Zurab Pololikashvili, citado no texto.

A OMT reiterou seu pedido de medidas sanitárias para conter o vírus para minimizar "qualquer interrupção desnecessária nas viagens e no comércio".

Desde o final de janeiro, dezenas de companhias aéreas reduziram suas viagens à China e, mais recentemente, à Itália, o país europeu mais atingido.

Por outro lado, a OMT pediu um "apoio financeiro e político" ao setor do turismo, um impulso "a ser incluído nos planos e medidas de recuperação mais amplos das economias afetadas".