Onça é vista em parque da zona norte de São Paulo pela primeira vez

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Uma onça-parda foi flagrada pela primeira vez circulando pelo parque Anhanguera, na zona norte de São Paulo, próximo à rodovia. As imagens de vídeo do animal foram captadas por câmeras de monitoramento na reserva Refúgio de Vida Silvestre na madrugada desta sexta (9), durante atividades de levantamento de fauna silvestre.

De acordo com Juliana Summa, diretora da divisão da fauna silvestre da Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente, a onça-parda da espécie Puma concolor não circula todos os dias pelo parque, mas utiliza o Anhanguera como sua área de usufruto no dia a dia.

"Nunca registramos antes com imagem [a presença do animal]. Por isso, muita gente não acreditava que elas poderiam circular lá", afirma Summa. "Mas já flagramos pegadas de onças-pardas desde 2019", completa.

Yara Barros, coordenadora do projeto Onças do Iguaçu, diz que às vezes acontece de esses animais saírem da mata e circular na cidade ou em áreas próximas, especialmente as jovens, que estão na fase de dispersão, como ela chama.

"Depois dos dois anos de idade, os jovens têm que sair de perto da mãe. Como a onça-parda tem uma elasticidade ecológica, e tolera um pouco mais as mudanças causadas pelo homem, ela acaba chegando em locais mais perturbados, como cidades, através de plantações de cana, por exemplo."

Summa diz que a onça-parda provavelmente estava buscando alimento. Segundo ela, a onça-parda costuma usar a área do parque Anhanguera pois é parte do seu território, que tem quilômetros de extensão.

"O Refúgio de Vida Silvestre Anhanguera é uma unidade de conservação importante para a manutenção dessas onças, são seu habitat natural. Seja para caçar, procurar por um parceiro para reprodução ou para utilizar como corredor para acessar outras áreas verdes", afirma.

A especialista da prefeitura faz um alerta. Por mais que as pessoas se espantem com a presença de uma onça, tenham medo ou se intimidem, ela diz, é importante saber que esses animais, predadores de topo de cadeia, circulam por São Paulo ainda.

"Isso mostra a importância da conservação e manutenção dessas áreas verdes para a fauna."