Onda de calor: cidades francesas cancelam queima de fogos do 14 de Julho para evitar incêndios

AFP - SYLVAIN THOMAS

A Europa atravessa uma forte onda de calor que, associada à seca, é uma das principais causas de incêndios. Devido às condições climáticas e para evitar qualquer risco, cidades do sul da França decidiram cancelar os tradicionais fogos de artifício de 14 de Julho, a festa nacional francesa. Já a Península Ibérica atravessa a pior seca do milênio.

Com o calor e a seca, departamentos do sul da França como Gard, Alpes Marítimos e Bouches du Rhône vêm enfrentando incêndios desde o começo do verão no hemisfério norte.

No Gard, onde fica a cidade de Nîmes, a seca começou há um mês e a a prefeitura da cidade já informou sobre o cancelamento dos fogos do 14 de Julho.

“A prefeitura de Nîmes cancelou os fogos de artifício por duas razões. Primeiro para apoiar os bombeiros que estão tentando apagar o fogo em Haut-Gard. E a segunda razão também, claro, para proteger os moradores da cidade”, disse Richard Flandin, secretário adjunto da prefeitura, encarregado do planejamento urbano. “Não podemos correr o risco de colocar fogo nas colinas da cidade de Nîmes”, acrescentou.

O mistral, um forte vento que vem das montanhas, aumenta o risco de incêndios, que se espalham por toda a região.

A cidade de Allauch, que é cercada por colinas e vegetação no departamento de Bouches du Rhône, os temores de deflagração de um incêndio levaram também ao cancelamento do show.

A decisão poderia inclusive criar um antecedente, explica o prefeito Lionel de Cala, en entrevista ao site do canal France Info. “Eu acho que os fogos de artifício no verão, no futuro, deveriam ser feitos somente pelas cidades do litoral, no mar, com um risco que é muito mais limitado. Para nós, no meio de colinas, acho que não podemos correr mais este risco, tendo em conta os períodos de seca que vão aumentar”, lamenta.

Quase todos os municípios franceses festejam o feriado nacional de 14 de julho, dia da tomada da prisão da Bastilha pelos revolucionários em 1789, com bailes populares e fogos de artifício. A prefeitura de Allauch planeja fazer o show pirotécnico anual no Natal, período em que há menos riscos de incêndios.

Seca

Mais ao sul, a Península Ibérica nunca esteve tão seca nos últimos mil anos, de acordo com especialistas. Temperaturas superiores a 40°C sufocam Portugal e Espanha nesta segunda-feira, e os termômetros vão subir ainda mais nos próximos dias.

De acordo com a agência meteorológica espanhola (Aemet), o mercúrio deve atingir nesta segunda-feira 42°C na Estremadura (sudoeste da Espanha) e 41°C na Andaluzia (no sul). As máximas esperadas devem ultrapassar os 35°C no noroeste do país, onde faz geralmente menos calor.

Esta nova onda, a segunda em um mês, “é excepcional”, declarou na segunda-feira Rubén del Campo, porta-voz da Aemet. O calor começou no domingo (10) e pode durar “nove ou dez dias, fazendo desta uma das três ondas de calor mais longas que a Espanha viveu desde 1975”, explicou o metereologista à AFP.

“As mudanças climáticas provocam ondas de calor mais frequentes e mais intensas”, continuou del Campo, lembrando que o número de episódios dobrou nos últimos 12 anos no país.

De acordo com a Aemet, as temperaturas mais extremas serão registradas entre terça (12) e quinta (14). A agência não pode prever se o recorde absoluto de temperatura registrado na Espanha, de 47,4°C em Montoro, perto de Córdoba, em agosto de 2021, será batido.

Incluindo a onda de calor atual, a Espanha atravessou cinco episódios de temperaturas excepcionalmente elevadas nos onze últimos meses. O mês de maio de 2022 foi o mais quente desde o começo do século no país.

Incêndios em Portugal

Em Portugal, o termômetro subiu até 44°C em algumas zonas durante o fim de semana, favorecendo incêndios. O mais importante na cidade de Ourém, no centro do país, foi controlado nesta segunda-feira.

As temperaturas devem ter uma leve queda nesta segunda em todo o país, mas voltam a subir de novo na quarta (13). Na região de Évora, no sudeste, ainda são esperados 42°C de acordo com a agência meteorológica nacional.

Neste contexto, o nível dos reservatórios de água na Espanha nesta segunda-feira estava em 45,3% de sua capacidade total, bem abaixo da média dos 10 últimos anos neste período, que costuma ser de 65,7%.

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