Trump acusa ex-diretor do FBI de ser "verdadeiro delator e mentiroso"

Washington, 13 abr (EFE).- O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, acusou nesta sexta-feira o ex-diretor do FBI James Comey de ser "um verdadeiro delator e mentiroso", e afirmou que deveria ser "processado" pela justiça, um dia depois que este comparou o presidente com um chefe da "máfia".

"James Comey é um verdadeiro delator e mentiroso. Virtualmente todo mundo em Washington pensava que devia ser demitido pelo trabalho horrível que fez até que, feito, foi despedido", disse Trump no Twitter.

"Filtrou informação CLASSIFICADA, por isso deveria ser processado. Mentiu ao Congresso sob juramento", ressaltou o líder.

Trump também qualificou Comey como "frágil e desprezável".

"Foi uma grande honra demitir James Comey", concluiu.

Alguns veículos de imprensa americanos anteciparam ontem parte do livro de memórias de Comey, intitulado "A higher loyalty" ("Uma lealdade superior"), uma referência evidente à "lealdade" que o ex-diretor do FBI assegura que Trump exigiu antes de demiti-lo há quase um ano.

"O círculo silencioso de assentimento. O chefe em completo controle. Os juramentos de lealdade. A concepção do mundo do nós contra eles. A mentira sobre todas as coisas, grandes e pequenas, ao serviço de algum código de lealdade que põe a organização acima da moralidade e da verdade", escreve Comey sobre Trump em suas memórias.

Em "A higher loyalty", Comey também relata uma obsessão do presidente com um polêmico relatório não verificado de um espião britânico, no qual recolhia que em 2013 Trump contratou várias prostitutas russas em Moscou para protagonizar uma estranha cena.

A demissão de Comey, em maio de 2017, foi muito polêmica porque o agora ex-diretor do FBI estava liderando as investigações sobre a suposta ingerência da Rússia nas eleições vencidas por Trump e os possíveis nexos entre a campanha do magnata e o Kremlin para prejudicar sua rival democrata, Hillary Clinton.

Após deixar o cargo, Comey disse que tinha tomado notas de todas suas conversas com o presidente. EFE