'Onde estão?': mães de desaparecidos protestam no México

Mulheres com filhos desaparecidos protestam na Cidade do México, em 10 de maio, por ocasião do Dia das Mães (AFP/ALFREDO ESTRELLA) (ALFREDO ESTRELLA)

Dezenas de mulheres que procuram seus filhos desaparecidos se manifestaram nesta terça-feira (10) na Cidade do México, por ocasião do Dia das Mães, para denunciar seus casos e exigir celeridade nas buscas.

"Em vez de comemorar com a família, temos que fazer uma marcha para gritar pedindo nossos filhos de volta", disse à AFP Adriana Martínez, de 48 anos, que procura Marwan Andrade, desaparecido há um ano e três meses.

Acompanhada por ativistas, a manifestação partiu do Monumento à Mãe, no centro da capital mexicana, onde foram expostas imagens dos desaparecidos e placas com dizeres como "Quem vai te procurar quando eu me for?" e "Até os encontrarmos".

No México, há registros de quase 100 mil desaparecidos, uma situação que o Comitê de Desaparecimentos Forçados da ONU descreveu recentemente como uma "tragédia humana" alimentada por uma "absoluta impunidade".

As manifestantes, de vários estados do país, alguns duramente atingidos pela violência do crime organizado, como Chihuahua (norte), também caminharam pela avenida central Paseo de la Reforma exigindo justiça.

"Onde eles estão? Onde eles estão? Nossos filhos, onde estão?", gritavam, carregando fotos dos desaparecidos com a data em que foram vistos pela última vez.

Na Glorieta de la Palma, uma praça no Paseo de la Reforma, onde o governo municipal removeu recentemente uma palmeira seca, as participantes do protesto colocaram imagens de seus familiares, após denunciar que as autoridades removeram cartazes semelhantes que haviam colado anteriormente.

"Filho, escute, sua mãe está na luta!", entoavam outras mulheres junto a uma faixa que dizia "10 de maio. Nada a comemorar!".

Durante a marcha, algumas mães narraram as dificuldades que enfrentam na busca de seus filhos. Algumas precisam até pegar picaretas e pás para cavar valas comuns devido à inércia das autoridades.

"Temos um caminho muito difícil, as autoridades não estão interessadas porque não é parente deles, não estão no nosso lugar", declarou Magdalena Hernández, de 50 anos, que busca Daniel Soriano, desaparecido desde 2017.

"Não entendo por que essas pessoas são tão ruins. Se não estão mais vivos, que nos digam onde os deixaram", disse Berta García, de 52, separada de seu filho Manuel Portillo há seis anos.

O Dia das Mães é um feriado profundamente enraizado no México. No entanto, com o aumento da violência, coletivos de busca transformaram a ocasião em um dia para exigir justiça para seus familiares.

O problema dos desaparecimentos se agravou desde 2006, quando o governo lançou uma polêmica operação militar antidrogas que já deixou cerca de 340 mil mortos.

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