De onde vem o sucesso da Red Bull na temporada da Fórmula 1? Conheça o responsável

Não há dúvidas de quem entrará para a história caso o título da Fórmula 1 desta temporada, já bem encaminhado, se confirme. Os louros, justíssimos, serão do holandês Max Verstappen. Ele chega ao GP de Silverstone, 10º do ano, com vantagem de quase 50 pontos para Charles Leclerc, da Ferrari, o real rival — a corrida será às 11h, com transmissão da Band. Ainda falta um tanto de corridas, é claro, mas hoje o carro da Red Bull se mostra superior aos concorrentes nas pistas favoráveis ou não. É aí que entra o nome por trás do sucesso: Adrian Newey.

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O projetista de 63 anos , atualmente diretor de tecnologia da RBR, pôs a mão na massa diante do desafio do novo regulamento e deu à luz ao RB18, que já é considerado mais uma obra-prima do britânico. Newey contabiliza 10 títulos de construtores em três escudeiras diferentes (Red Bull, Mclaren e Williams) e pode colocar mais na conta este ano. A equipe austríaca leva 76 pontos de vantagem para a Ferrari.

Enquanto os principais concorrentes lutam para solucionar os quiques do carro por causa do "efeito golfinho", o RB18 nasceu praticamente pronto para encarar o efeito solo gerado pelas mudanças aerodinâmicas do regulamento atual. Graças ao conhecimento de longa data de Newey.

Para entender o sucesso de agora, é necessário voltar ao fim dos anos 1970. Newey se formou com honras de primeira classe em aeronáutica e astronáutica na Universidade de Southampton, em 1980, mas com o sonho definido ainda criança de que trabalharia na engenharia do esporte a motor.

Com um detalhe fundamental: o projeto final do engenheiro foi sobre a aerodinâmica do efeito solo em carros de corrida. O conceito era utilizado na Fórmula 1 naquele momento, sendo banido em 1982, por questões de segurança, e retornando repaginado este ano. Logo após se formar, Newey foi contratado pela March, de Emerson Fittipaldi, e trabalhou, inicialmente, como engenheiro de pista na F2.

Em entrevista ao site da Universidade Southampton, Newey reconheceu a importância da formação escolhida naquela época para se tornar um dos mestres na engenharia de monopostos.

"Meu diploma de Southampton me deu uma vantagem competitiva. Também preencheu uma lacuna crítica de habilidades porque eu havia acabado de fazer um projeto final sobre aerodinâmica de efeito solo em carros de corrida, no qual poucas pessoas na F1 tinham treinamento naquela época", disse.

No RB18, Newey utilizou toda a experiência no assunto para minimizar os quiques nos carros de Verstappen e Sergio Perez. O projeto alterou a condução do fluxo de ar e estreitou a traseira dos carros. Assim, a pressão do ar no assoalho tem menos variação ao longo das retas, tornando o monopostos mais estáveis, sem perda de velocidade nem aerodinâmica.

Não é a primeira vez que Newey pega um novo regulamento da FIA e transforma o carro numa obra-prima. Na RBR desde 2006, ele conduziu a equipe recém-formada ao domínio dos anos 2010, com o alemão Sebastian Vettel no cockpit. Em 2009, a entidade reduziu a aderência aerodinâmica e aumentou a aderência mecânica dos carros. Naquele ano, o projeto do inglês só ficou atrás do de Ross Brawn, que conquistou o campeonato com a estreante Brawn.

Porém, até a introdução da "Era Híbrida", que daria a vantagem aos carros da Mercedes a partir de 2014, o domínio da Red Bull foi absoluto entre 2010 e 2013. Vettel, inclusive, detém o recorde (ao lado da marca de Michael Schumacher de 2004) de maior número de vitórias em uma única temporada, com 13 triunfos em 19 GPs disputados em 2013. E também da maior diferença de pontos entre o campeão e vice: 155 pontos do alemão para o espanhol Fernando Alonso, então da Ferrari.

Verstappen, por exemplo, soma seis este ano, tendo mais 13 corridas no calendário, contando com a de Silverstone deste domingo.

No segundo título de Vettel, em 2011, o então chefe da Ferrari, Stefano Domenicali, atual CEO da F1, foi claro, sem desmerecer o piloto alemão. Inclusive, houve rumores de que ele iria para Ferrari em 2014, mas Newey renovou contrato e passou a atuar mais como um consultor nos projetos dos carros.

"O grande campeão da RBR é o Newey", disse à época.

Quando chegou para o novo projeto da Red Bull, Newey já era um nome para lá de respeitado na Fórmula 1. Nos anos 1990, projetou nada menos que seis carros vencedores do Mundial de Construtores: as icônicas Williams de Mansell, 1992, e de Prost, 1993, além do de 1994, marcado pelo acidente fatal de Ayrton Senna, e 1996 (Damon Hill) e 1997 (Jacques Villeneuve). Na McLaren, foi o responsável pelo monoposto campeão de Mika Hakkinnen, em 1998 e 1999 (este ano, a Ferrari projetada por Ross Brawn ficou com o título).

A cada corrida, as rivais tentam correr atrás da Red Bull, com inovações nos carros ou mudanças bruscas nos projetos iniciais. Mas quando um carro nasce com cara de vencedor é difícil superá-lo.

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