ONG acusa Marrocos e Espanha por drama migratório em Melilla

Uma ONG marroquina de defesa dos direitos humanos acusou, nesta quarta-feira (20), Marrocos e Espanha de responsabilidade pelo drama de Melilla no fim de junho, quando, segundo o seu balanço, 27 migrantes africanos morreram enquanto tentavam entrar nesse território espanhol no norte de África.

"A tragédia de 24 de junho custou a vida de 27 migrantes devido à repressão, sem precedentes, das autoridades marroquinas, com cumplicidade de seus pares espanhóis", denunciou Omar Naji, membro da Associação Marroquina de Direitos Humanos (AMDH), em entrevista coletiva em Rabat.

Segundo as autoridades marroquinas, 23 migrantes em situação irregular morreram imprensados e pisoteados durante a tentativa de entrada maciça em Melilla.

"É um crime infame, resultado de políticas migratórias mortíferas", afirmou Naji, durante a apresentação de um relatório da AMDH sobre as causas do drama migratório.

"A decisão de atacar violentamente os demandantes de asilo assim que chegaram à barreira [que separa os territórios marroquino e espanhol] é, sem dúvida, a causa principal por trás desses números tão fortes", diz o relatório elaborado pela seção local da AMDH em Nador, cidade marroquina que faz fronteira com o exclave espanhol.

A ONG, a principal associação independente de defesa de direitos humanos no Marrocos, criticou o "uso maciço de gás lacrimogênio" quando os migrantes, a maioria sudaneses, tentavam entrar em um posto fronteiriço pequeno e fechado, e escalar uma barreira metálica com arame farpado.

As autoridades espanholas "devolveram no calor do momento uma centena de migrantes", segundo a AMDH, que afirma que há ainda 64 desaparecidos.

- Maior número de mortos -

O drama migratório é o mais violento ocorrido durante as muitas tentativas de migrantes subsaarianos de entrar em Melilla e em Ceuta, o outro exclave espanhol no norte da África, as únicas fronteiras terrestres da União Europeia com o continente mãe.

A AMDH culpou pelo drama o retorno da cooperação migratória entre Rabat e Madri, firmada em 18 de março, o que deu lugar a um "aumento" das operações marroquinas de busca de migrantes nas matas próximas a Melilla: 30 entre abril e junho de 2022, em comparação com as 37 realizadas em todo o ano de 2021.

Em um relatório preliminar, o Conselho Nacional de Direitos Humanos (CNDH) - órgão oficial marroquino encarregado de investigar o drama - concluiu que houve morte por "asfixia mecânica" dos migrantes.

Isso aconteceu no nível da zona de segurança do posto fronteiriço, que é equipado com catracas manuais para a passagem de apenas uma pessoa por vez.

O CNDH isentou de culpa as forças da ordem marroquinas e responsabilizou as autoridades espanholas, que mantiveram o posto fronteiriço fechado.

Na terça-feira, a Justiça marroquina condenou 33 migrantes africanos a 11 meses de prisão cada um por "entrada ilegal" no Marrocos.

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