ONG leva dentistas para tratar saúde bucal de população carente

A ONG foi criada em 2016 e já passou por 10 Estados do Brasil. Foto: Daniel Pascotto/Studio Disegno

Com o objetivo de levar saúde bucal para pessoas que não tinham o privilégio de poder arcar com os gastos de um profissional da saúde, o dentista Felipe Rossi criou a ONG (Organização Não Governamental) Por1sorriso. Com o projeto, o presidente da organização e outros voluntários já fizeram mais de 20 mil procedimentos dentro e fora do Brasil.

Em entrevista ao Yahoo, Rossi conta que a ideia de criar a ONG veio em 2015, quando ele foi para Moçambique pela primeira vez. Depois, o projeto se concretizou em abril de 2016. Com a ajuda da também dentista Marina Bello, ele decidiu que seria interessante levar odontologia de qualidade para comunidades carentes.

Em 2016, então, ele foi para a Bahia pela primeira vez e levou um verdadeiro consultório para o sertão. “O tratamento é muito complicado. A gente tem que pensar que são pessoas que não tiveram acesso à dentista durante 30, 40 anos. Temos que fazer sempre muita restauração, canal, dentadura… o número de desdentados é altíssimo”, afirmou.

ONG Por1sorriso já fez mais de 20 mil procedimentos. Foto: Daniel Pascotto/Studio Disegno

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Com o crescimento, o projeto já passou por 10 Estados do Brasil e conta com a ajuda de inúmeros voluntários que ajudam nas iniciativas. Rossi explica que os voluntários precisam arcar com suas próprias despesas durante as atividades, o que dificulta a ação. Porém, ele diz que todas as ações contam com cerca de 40 pessoas entre médicos, dentistas e voluntários que fazem a parte do cadastramento, por exemplo.

“A gente também tem apoio local. Geralmente, são parceiros de projetos locais. A gente chega na comunidade sempre com um aviso anterior. No primeiro dia sempre tem gente, mas no segundo dia já é uma loucura. As pessoas precisam muito”, explicou o presidente da organização.

Segundo ele, uma das questões que mais marca os atendimentos nas comunidades é a gratidão recebida de cada um que recebe os cuidados. “Um senhor me disse uma vez que o sonho dele era colocar dente para casar. Algumas pessoas passam a vida toda sem ter condição de ter dente. O posto das comunidades, muitas vezes, só faz a extração do dente. Aí a dor passa, mas os problemas que acontecem depois são muito maiores. Quando você tira um dente, você está piorando a vida da pessoa”, disse.

Projeto quer ajudar pessoas a melhorarem de vida por meio do sorriso. Foto: Daniel Pascotto/Studio Disegno

“O reconhecimento é incrível. O maior ganho do voluntário é esse. As pessoas dão abraços, dão sorrisos, muita gente chega a chorar. E isso não tem dinheiro que pague. Para escolher os lugares que fazemos as ações procuramos mapear as cidades, ver qual tem o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) mais baixo, onde tem menos dentistas”, explicou.

Para conseguir viabilizar o projeto, Rossi conta que a ONG vive de doações, parcerias e eventos de arrecadação de verbas. “São várias formas que a gente tem de conseguir dinheiro. Tem também uma caixinha dos voluntários para arcar com os gastos. A gente utiliza essa caixinha para ajudar a pagar o carreto dos objetos, por exemplo. A gente manda três toneladas só de equipamento”, afirmou.

Ações contam com cerca de 40 pessoas entre médicos, dentistas e voluntários. Foto: Daniel Pascotto/Studio Disegno

Além disso, Rossi diz que sempre que possível, ele volta aos locais que fez as ações para poder controlar como estão os sorrisos das pessoas que tratou. “Aí podemos ver o retorno, como foi que aconteceu essa mudança de vida e qual foi o impacto social que isso teve. E isso é algo importante. Melhorar o sorriso da pessoa faz com que ela tenha um poder de reinserção social, que consiga arrumar um emprego, por exemplo”, constatou.