ONG registra mais de 200 ataques contra defensores de direitos humanos na Venezuela em 2021

De janeiro a dezembro de 2021, foram registrados 215 ataques contra ativistas de direitos humanos na Venezuela, que incluíram prisões arbitrárias e invasões, de acordo com um informe da ONG Cofavic, publicado na terça-feira.

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A organização, criada para atender às vítimas do "El Caracazo" — como são conhecidos os protestos que deixaram dezenas de mortos em 1989 — denunciou uma política "sistemática" de "impedir, enfraquecer, inibir e, em última análise, eliminar as capacidades das ONGs e dos defensores dos direitos humanos" no país.

— Os ataques consistem em prisões arbitrárias, violações do devido processo legal, uso da justiça para perseguições, atos de criminalização através da mídia estatal e incursões — disse à AFP Liliana Ortega, diretora da organização, após participar de uma cerimônia na sede da União Europeia (UE) na Venezuela.

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Ortega sustentou que por estar na "primeira linha de atendimento aos setores vulneráveis" e romper "o controle social do Estado" os ativistas foram tachados de "inimigos internos".

— Por isso, há uma perseguição sistemática contra organizações não governamentais no país — observou.

Durante o evento, liderado por Rafael Dochao, chefe da delegação do bloco europeu em Caracas, foi apresentado um projeto que visa promover a proteção dos defensores dos direitos humanos em risco no país.

O projeto, que terminará em janeiro de 2025, deverá beneficiar cerca de 2 mil ativistas de direitos humanos e 200 organizações sociais, informou a UE em um comunicado.

— Estamos aqui porque apoiamos os defensores dos direitos humanos — destacou Dochao no início da cerimônia.

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Um dos exemplos emblemáticos de perseguição a defensores de direitos humanos no país foi a prisão, em julho de 2021, de três ativistas da ONG Fundaredes, incluindo seu diretor Javier Tarazona, após denunciar a presença de guerrilheiros colombianos na Venezuela e criticar a resposta do governo. As prisões foram consideradas"um exemplo preocupante" das "restrições ao espaço cívico" na Venezuela pela Alta Comissária da ONU para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet.

Desde então, Tarazona continua detido, enquanto seus companheiros foram liberados. Eles foram acusados ​​dos crimes de "promoção do ódio, traição e terrorismo".

O Tribunal Penal Internacional (TPI) abriu uma investigação em novembro de 2021 por supostos crimes contra a Humanidade em manifestações antigovernamentais que deixaram cerca de 125 mortos em 2017.

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