ONU acusa Talibã de procurar afegãos que ajudaram os EUA para capturá-los

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O porta-voz do Talibã Zabihullah Mujahid (à esquerda) em coletiva de imprensa

Os talibãs estão intensificando a busca por pessoas que trabalharam com as forças dos Estados Unidos e da Otan, segundo um documento confidencial da Organização das Nações Unidas, que alerta sobre "tortura e execuções" contra essas pessoas e suas famílias, apesar da promessa dos insurgentes de não quererem se vingar de seus oponentes.

O relatório - fornecido pelos consultores de avaliação de ameaças da ONU e consultado pela AFP - diz que os talibãs têm "listas prioritárias" de indivíduos que desejam prender.

Segundo o documento, as pessoas que correm mais risco são as que desempenharam funções importantes no exército, na polícia e nas unidades de inteligência afegãs.

Os talibãs estão realizando "visitas seletivas porta a porta" em busca das pessoas que querem capturar e de seus familiares, denuncia o relatório.

O texto acrescenta que os militantes também estão controlando as pessoas que se dirigem ao aeroporto de Cabul e estabeleceram postos de controle nas principais cidades, incluindo a capital e Jalalabad.

O documento, datado de quarta-feira (18), foi elaborado pelo Norwegian Center for Global Analyses, uma organização que fornece trabalho de inteligência para as agências da ONU.

"Estão mirando nas famílias dos que se recusam a se entregar, e perseguindo e castigando suas famílias 'segundo a lei islâmica'", disse à AFP Christian Nellemann, diretor-executivo do grupo.

"Prevemos que tanto os indivíduos que trabalhavam antes com as forças da Otan/Estados Unidos quanto seus aliados, junto aos membros de seus famílias, estejam expostos à tortura e a execuções", acrescentou.

"Isso vai comprometer ainda mais os serviços de inteligência ocidentais, suas redes, métodos e capacidade para contra-atacar tanto o Talibã quanto o EI e outras ameaças terroristas", alertou.

O relatório destaca que os militantes estão "recrutando rapidamente" novos informantes para que colaborem com o regime talibã e estão ampliando suas listas de alvos, entrando em contato com mesquitas e corretores de dinheiro.

O Talibã lançou uma estratégia de relações públicas desde que voltou ao poder no último domingo (15), incluindo a promessa de uma anistia completa para todos os que trabalharam com o governo afegão eleito.

No entanto, os afegãos e os observadores não se esqueceram do regime islâmico ultraconservador dos talibãs de 1996-2001, quando eles impuseram castigos brutais, como o apedrejamento até a morte por acusações de adultério.

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