ONU adverte sobre catástrofe humanitária no Afeganistão

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Manifestantes se solidarizam com povo afegão, em protesto realizado em Karachi, no Paquistão, em 24 ago. 2021

A ONU disse nesta terça-feira (24) que uma "catástrofe humanitária" espera os afegãos neste inverno, se a comunidade internacional não oferecer ajuda.

Durante uma coletiva de imprensa online de Genebra, a subdiretora regional do Programa Mundial de Alimentos (PMA) para a Ásia e o Pacífico, Anthea Webb, disse que a organização conseguiu transportar 600 toneladas de alimentos para o Afeganistão esta semana e ajudar 80.000 pessoas.

Este número se soma às mais de cinco milhões de pessoas que o PMA já pôde ajudar desde o início do ano.

Depois da queda de Cabul para mãos talibãs, a ONU pediu ao grupo que garanta o acesso humanitário.

Nesta terça-feira, o PMA pediu à comunidade internacional que acelere as operações destinadas a posicionar antecipadamente a ajuda humanitária, diante do inverno que se aproxima.

"Normalmente, nesta época do ano, o PMA estão tentando posicionar, antecipadamente, reservas de alimentos nos armazéns e dentro das comunidades do Afeganistão, que, depois são distribuídas para famílias afegãs necessitadas antes de serem interrompidas por nevascas brutais de inverno", relatou.

"Este ano, porém, com baixos níveis de financiamento e necessidades crescentes, corremos o risco de ficar sem farinha de trigo, nosso principal suprimento, a partir de outubro. Temos apenas algumas semanas para garantir o financiamento necessário dos doadores e estabelecer as reservas de alimentos até que a neve bloqueie as passagens da montanha", acrescentou.

Quando houver neve, será tarde demais para ajudar o povo afegão, alerta o PMA, segundo o qual uma em cada três pessoas passa fome no Afeganistão.

Além do conflito, o Afeganistão foi afetado por uma seca severa durante vários anos, e a pandemia covid-19 piorou a situação humanitária.

- Remédio para mais uma semana

Também nesta terça, a Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou que tem suprimentos médicos suficientes no Afeganistão para "uma semana", após a tomada de Cabul por parte dos talibãs em 15 de agosto passado.

"A OMS conta atualmente com suprimentos no país para apenas uma semana", disse Ahmed al Mandhari, chefe da OMS para a região do Mediterrâneo Oriental, que vai do Marrocos ao Afeganistão.

"Ontem (segunda-feira), 70% desses insumos foram entregues a postos de saúde", acrescentou.

Mandhari afirmou ainda que 500 toneladas de remédios e suprimentos foram retidas em Dubai, devido aos esforços caóticos de retirada no aeroporto de Cabul. No momento, voos comerciais não estão autorizados.

"Os países que enviam aviões vazios para recolher pessoas não se sentem em condições de nos dar ajuda", lamentou Mandhari.

No domingo, a OMS e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) pediram em conjunto que "se estabeleça, de imediato, uma ponte aérea humanitária confiável e dinâmica a poder enviar suprimentos" ao Afeganistão.

"Mesmo antes dos acontecimentos das últimas semanas, o Afeganistão já representava a terceira maior operação humanitária do mundo, com mais de 18 milhões de pessoas com necessidades de assistência em saúde", dizia o comunicado de domingo.

As tropas lideradas pelos Estados Unidos intensificaram as operações para retirar milhares de pessoas de Cabul, depois que os talibãs avisaram que não vão permitir a extensão do prazo de sua saída total para além de 31 de agosto.

Pelo menos 50.000 estrangeiros e afegãos deixaram o país, pelo aeroporto de Cabul, depois da tomada de poder pelos talibãs.

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