ONU alerta para riscos de pobreza no Afeganistão e pede ajuda financeira para impedir colapso

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Vendedor de frutas espera clientes em rua de Cabul, em 7 de setembro de 2021 (AFP/Hoshang Hashimi, Hoshang Hashimi)

O Afeganistão corre o risco de afundar ainda mais na pobreza, disse nesta quinta-feira (8) o diretor do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), Kanni Wignaraja, pedindo "ações urgentes" da comunidade internacional.

Atualmente, 72% da população vive abaixo da linha da pobreza - com menos de um dólar por dia - e essa taxa pode aumentar para 97% até meados do próximo ano, declarou em coletiva de imprensa.

"Estamos enfrentando um colapso total do desenvolvimento, além das crises humanitária e econômica" que estão afetando o Afeganistão, acrescentou.

Durante uma reunião do Conselho de Segurança da ONU, Deborah Lyons, representante especial do secretário-geral para o Afeganistão, pediu que o mundo que mantenha o fluxo de dinheiro para o país, apesar das preocupações com o governo talibã.

“Precisamos encontrar um modus vivendi - e rapidamente - que permita que o dinheiro flua para o Afeganistão para evitar um colapso total da economia e da ordem social”, afirmou.

O resultado seria "uma recessão econômica severa que poderia jogar muitos milhões de pessoas na pobreza e na fome, pode gerar uma onda massiva de refugiados do Afeganistão e, de fato, atrasar o Afeganistão por gerações".

Para o Pnud, as razões para esta situação alarmante vêm da pandemia da covid-19 e da transição política, em um contexto de congelamento das reservas externas, aumento da pressão sobre o sistema bancário e aumento da pobreza.

De Istambul, Abdullah Al Dardari, chefe do Pnud no Afeganistão, destacou que 70% da economia afegã é baseada no comércio informal realizado por mulheres. As mulheres são a "espinha dorsal" da economia, disseram funcionários do programa, enfatizando a importância da preservação dos bens.

Para evitar essa queda na pobreza, a agência da ONU desenvolveu um pacote de intervenções para ajudar os mais vulneráveis, incluindo a salvaguarda dos direitos das mulheres e meninas.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, convocou uma conferência internacional em Genebra na segunda-feira para acelerar a entrega de ajuda humanitária ao Afeganistão.

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