ONU alerta que combates no leste de Mianmar provocaram 100 mil deslocados

·2 minuto de leitura
Um membro de uma 'força de defesa' local fabrica uma arma artesanal para ser usada contra as forças de segurança no estado de Kayah em Mianmar

Quase 100 mil pessoas foram deslocadas por novos combates entre o exército birmanês e grupos rebeldes no leste do país, cenário de um golpe de Estado em fevereiro, alertou nesta terça-feira (8) a Organização das Nações Unidas.

Mianmar está mergulhada no caos e com a economia paralisada desde que a junta militar derrubou o governo civil de Aung San Suu Kyi, acusando-a de fraude na clara vitória eleitoral de seu partido nas eleições de 2020.

Desde então, as forças de segurança têm reprimido violentamente o movimento de protesto, com centenas de mortos e prisões.

Os conflitos se exacerbaram em várias áreas do país, especialmente naquelas com um alto número de mortos nas mãos da polícia e do Exército, e algumas comunidades locais formaram "forças de defesa".

Confrontos recentes e "os ataques indiscriminados das forças de segurança contra áreas civis" forçaram cerca de 100 mil pessoas a deixar o estado de Kayah, na fronteira com a Tailândia, disse nesta terça o escritório da ONU em Mianmar.

As populações que vivem nas áreas afetadas por estes combates têm "necessidades urgentes" de comida, água, abrigo e cuidados de saúde, acrescentou, criticando que as restrições impostas pelas forças de segurança atrasam a distribuição de ajuda humanitária.

A população local do estado de Kayah, no leste do país, acusa a junta militar de disparar projéteis de artilharia contra aldeias.

Imagens da AFP na área mostram civis construindo armas em oficinas improvisadas, onde grupos de defesa locais enfrentam o Exército birmanês.

Mais de 800 pessoas morreram como resultado da repressão da junta militar golpista contra os dissidentes, de acordo com um grupo de monitoramento local.

Após o golpe, a economia e o sistema bancário foram paralisados. Muitos cidadãos também perderam seu sustento em decorrência das greves e do fechamento de fábricas. Os preços do petróleo dispararam e as filas são cada vez maiores em frente aos bancos onde os afortunados que têm alguns recursos tentam sacar seu dinheiro.

A Cruz Vermelha indicou que estava multiplicando seus esforços para atender às necessidades de 236.000 pessoas em Mianmar, que já sofria com a pandemia da covid-19 antes do golpe.

O anúncio foi feito após um raro encontro entre o presidente da organização, Peter Maurer, e o líder da junta, Min Aung Hlaing, onde pediu acesso humanitário ao país.

bur-rma/axn/dbh/mb/mr

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos