ONU alerta que mudança climática pode gerar crise humanitária

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Carcaça de burro morto devido à seca na cidade de Kargi, no Quência

Por Megan Rowling

GLASGOW (Thomson Reuters Foundation) - Nos últimos seis anos desde que o Acordo de Paris sobre as mudanças climáticas em 2015, Madagascar teve apenas uma temporada decente de chuvas, deixando mais de um milhão de pessoas em situação grave de fome no país do sudeste africano.

A seca e as tempestades de areia inesperadas arruinaram plantações no sul da ilha, de acordo com o Programa Alimentar da ONU, forçando famílias a comerem gafanhotos, folhagens selvagens e cactos, e deixando crianças desnutridas e fracas demais para rir ou chorar.

Cerca de 14 mil pessoas em Madagascar vivem hoje à beira da fome.

De Madagascar ao Afeganistão, onde a seca está deslocando pessoas já afetadas por conflitos, as temperaturas globais mais quentes estão provocando fome, pobreza e migrações em dezenas de milhões de pessoas em países mais frágeis, alertaram agências da ONU na terça-feira.

Trabalhadores estão lutando para acompanhar a alta no número de desastres naturais mesmo com o aquecimento global de 1,2 grau Celsius hoje em dia, apontou a agência humanitária da ONU, a Ocha, na cúpula do clima COP26 em Glasgow, apontando os desafios de operação em países conturbados como Haiti, Mali e Iêmen.

"Uma alta de 2,7ºC, na nossa trajetória atual, ou acima disso, poderia levar a uma crise humanitária global, de tal magnitude que iria ameaçar gravemente o colapso do sistema de ajuda humanitária", apontou em uma prévia de uma relatório que será publicado no início do ano que vem.

O estudo destaca que entre 2000 e 2019, cerca de 7 mil desastres foram registrados no mundo todo, um aumento de 83% em relação às duas décadas anteriores, com as inundações aumentando 134% no mesmo período, e os eventos de temperatura extrema em 232%.

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