ONU alerta sobre risco de escalada na guerra civil em Mianmar

·2 minuto de leitura
(Arquivo) Manifestante pede liberdade da líder birmanesa deposta Aung San Suu Kyi, em protesto em 15 fev. 2021, diante da sede do Banco Central de Mianmar, em Yangon (AFP/STR)

A alta comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, advertiu nesta quinta-feira (23) sobre o risco de uma escalada na guerra civil em Mianmar, onde a oposição à junta militar convocou a população a pegar em armas.

"Diante da repressão massiva dos direitos fundamentais, um movimento de resistência armada está crescendo", declarou Bachelet perante o Conselho de Direitos Humanos, em Genebra.

Ela alertou que, recentemente, Duwa Lashi, presidente interino do Governo de Unidade Nacional - formado por ex-deputados contrários ao golpe e agora na clandestinidade - "convocou um levante armado contra os militares, em todo país".

Depois de mencionar o aumento dos confrontos armados entre opositores e militares, que tomaram o poder em fevereiro deste ano, Bachelet considerou que "estas tendências preocupantes sugerem que uma guerra civil de maior envergadura é possível".

"Reitero meu apelo a todos os atores armados para que respeitem os direitos humanos e garantam a proteção dos civis e de suas infraestruturas", acrescentou.

"Devem cessar imediatamente os ataques aéreos e de artilharia em zonas residenciais e qualquer outra forma de operação militar que esvazie centros de saúde, locais de culto, escolas, ou outras estruturas protegidas", exigiu a ex-presidente do Chile.

De acordo com Bachelet, "1.100 pessoas foram assassinadas pelas forças de segurança desde o golpe".

Estima-se que cerca de 8.000 pessoas, incluindo crianças, tenham sido presas desde 1º de fevereiro. Deste total, 4.700 continuam detidas.

"A maioria delas está presa sem qualquer tipo de procedimento legal e sem acesso a advogado, ou mesmo sem a possibilidade de se comunicar com suas famílias", denunciou.

A alta comissária disse ainda ter informações confiáveis sobre maus-tratos e tortura cometidos durante os interrogatórios e sobre o fato de que "120 pessoas morreram nas 24 horas que se seguiram à sua detenção".

Em 1º de fevereiro, o Exército birmanês derrubou o governo civil de Aung San Suu Kyi, partido claramente vencedor da disputa eleitoral. Com isso, pôs-se fim a um breve intervalo democrático de dez anos no país. Desde então, os militares vêm fazendo uma repressão sangrenta contra seus opositores.

vog/rjm/lch/mab/es/tt

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos