ONU: Bolsonaro fala em visto para “afegãos cristãos”, mas portaria não determina religião

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Bolsonaro em discurso na ONU (Eduardo Munoz-Pool/Getty Images)
Bolsonaro em discurso na ONU (Eduardo Munoz-Pool/Getty Images)
  • Bolsonaro disse que Brasil vai refugiar cidadãos cristãos afegãos

  • País aprovou portaria para receber pessoas que estão fugindo do Afeganistão

  • Texto, porém, em nenhum momento fala sobre a necessidade de os refugiados serem cristãos

Em seu discurso na Assembleia Geral da ONU, nesta terça-feira, Jair Bolsonaro (sem partido) citou a concessão de visto para refugiados afegãos. O presidente afirmou que o Brasil acolherá “cristãos” do país asiático.

“O futuro do Afeganistão também nos causa profunda apreensão. Concederemos visto humanitário para cristãos, mulheres, crianças e jovens afegãos”, declarou. Ainda segundo Bolsonaro, o Brasil “sempre acolheu refugiados”.

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O país, de fato, aprovou portaria do Ministério das Relações Exteriores e do Ministério da Justiça e Segurança Pública regulamentando a concessão de visto e acolhimento humanitário a afegãos. O texto, porém, em nenhum momento cita religião ou determina a necessidade de estes refugiados se mostrarem cristãos.

A portaria determina, apenas, que “será dada especial atenção a solicitações de mulheres, crianças, idosos, pessoas com deficiência e seus grupos familiares”, mas que o acolhimento será concedido a “nacionais afegãos, apátridas e pessoas afetadas pela situação de grave ou iminente instabilidade institucional, de grave violação de direitos humanos ou de direito internacional humanitário no Afeganistão”.

Milhares de afegãos têm buscado refúgio em outros países (Sonu Mehta/Hindustan Times via Getty Images)
Milhares de afegãos têm buscado refúgio em outros países (Sonu Mehta/Hindustan Times via Getty Images)

Protestos contra Bolsonaro e polêmicas marcam passagem pelos EUA

A passagem da comitiva presidencial do Brasil por Nova York está sendo marcada por protestos contra o presidente da República. Na noite da última segunda-feira (20), o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, mostrou irritação com os manifestantes.

As autoridades brasileiras saíam de uma recepção na missão brasileira na ONU e estavam dentro de um ônibus. Manifestantes cercaram o veículo, enquanto gritavam palavras de ordem. Queiroga, então, se levantou no assento no qual estava, foi até a janela e mostrou o dedo do meio para aqueles que participavam do ato.

A reação do ministro chamou atenção nas redes sociais, pela falta de decoro que corresponderia ao cargo. Assista:

Em um vídeo publicado nas redes sociais na manhã desta terça-feira (21), Bolsonaro minimizou os protestos contra ele e disse que se tratavam de 10 pessoas. Segundo o presidente, "essas pessoas deveriam estar em um país socialista, não nos Estados Unidos".

Enquanto o presidente gravava o protesto, os manifestantes gritavam "fora, Bolsonaro" e o chamavam de "genocida". Bolsonaro ainda criticou a imprensa e afirmou que os meios de comunicação inflariam o número de manifestantes, afim de dizer que havia um "megaprotesto" contra ele em Nova York.

Esse não foi o primeiro protesto contra Jair Bolsonaro desde que o presidente chegou a Nova York. Bolsonaro teve de entrar pela porta dos fundos do hotel onde está hospedado, porque havia um grupo de manifestantes na entrada do local.

Caminhão com frases contra Bolsonaro passeia por NY

Um caminhão com telões de LED que projetam frases contra o presidente circula por Nova York, onde acontece a Assembleia Geral da ONU.

Nas redes sociais, é possível ver as imagens do veículo com os dizeres "Bolsonaro mentiroso" e também chamando o presidente de "perdedor".

Segundo informações do portal Metrópoles, a ação foi feita por ativistas brasileiros e norte-americanos e financiada por ONGs ligadas à defesa da democracia e preservação do meio ambiente.

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