ONU convida Santos Cruz para chefiar investigação sobre explosão na Ucrânia

***ARQUIVO***BRASÍLIA, DF, 28.01.2020 - O general Carlos Alberto dos Santos Cruz. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)
***ARQUIVO***BRASÍLIA, DF, 28.01.2020 - O general Carlos Alberto dos Santos Cruz. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - A ONU (Organização das Nações Unidas) escolheu o general Carlos Alberto dos Santos Cruz para chefiar uma missão que investigará a explosão do centro de detenção de Olenivka, na Ucrânia, que matou dezenas de prisioneiros de guerra.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, fez o anúncio nesta quinta-feira (18) em conversa com jornalistas em Lviv, na Ucrânia. Ele estava ao lado dos presidentes da Ucrânia, Volodimir Zelenski, e da Turquia, Recep Tayyip Erdogan.

A missão chefiada por Santos Cruz será instalada a pedido dos governos da Ucrânia e da Rússia à ONU. Ex-ministro do governo Bolsonaro, Santos Cruz é conhecido na ONU por ter atuado em duas missões de paz, no Haiti e na República Democrática do Congo.

Segundo a agência de notícias das Nações Unidas, Guterres destacou, no anúncio, que o militar brasileiro é "um oficial respeitado com mais de 40 anos de experiência em segurança pública e militar, incluindo o comando de missões de paz".

O centro de detenção de Olenivka, onde permaneciam prisioneiros ucranianos, foi alvo de ataques em 29 de julho. Desde então, Rússia e Ucrânia trocam acusações mútuas sobre quem ordenou e realizou a operação.

O Ministério da Defesa russo afirmou que ataques de Kiev com sistemas Himars, fabricados nos EUA, atingiram o local, matando ao menos 40 prisioneiros e deixando outros 75 feridos durante a madrugada. A pasta alega que a prisão abrigava, entre outros, membros do Batalhão Azov, grupo neonazista incorporado ao Exército da Ucrânia.

"Trata-se de uma provocação que visa a assustar os soldados e a dissuadi-los de se render", disse o órgão, em nota. Canais estatais russos divulgaram imagens de edifícios incendiados, mas a informação não pôde ser confirmada de maneira independente.

Kiev negou o ataque e culpou os russos pelo bombardeio, dizendo que forças de Moscou atacaram a prisão em uma tentativa de acusar a Ucrânia de cometer crimes de guerra e esconder a tortura e as execuções de prisioneiros de guerra que teria praticado.

O chanceler ucraniano, Dmitro Kuleba, usou o episódio para pedir ajuda internacional. "Apelo a todos para que condenem essa brutal violação do direito internacional humanitário e reconheçam a Rússia como um Estado terrorista", escreveu no Twitter.