ONU denuncia aumento de ataques contra albinos no leste da África

Mulheres carregam filhos albinos na Tanzânia

O alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Zeid Raad al Hussein, denunciou nesta terça-feira o aumento do número de ataques contra albinos no Leste da África e exigiu que estes crimes não fiquem impunes.

"Estes ataques são extraordinariamente selvagens, e as crianças, em especial, têm sido afetadas", disse Zeid em comunicado.

Nos últimos seis meses, pelo menos 15 albinos morreram ou foram agredidos na Tanzânia, Malaui e Burundi. Três incidentes violentos ocorreram apenas na semana passada, segundo a ONU.

Ainda de acordo com as Nações Unidas, a situação tem piorado na Tanzânia e no Malaui.

"Muitas pessoas vivem em meio ao terror. Algumas delas sequer saem de casa, enquanto seus filhos deixaram de ir à escola em razão do aumento recente nos ataques", acrescentou Zeid.

A metade dos ataques se concentra na Tanzânia, onde existe a crença de que os órgãos de pessoas albinas têm propriedades mágicas.

A ONU advertiu que existe a tendência de ocorrerem mais ataques, e de forma acelerada, à medida que se aproximarem as eleições presidenciais, em outubro. A explicação está no fato de que muitos candidatos recorrem a curandeiros com o intuito de aumentar as chances de serem eleitos.

O albinismo é uma doença hereditária e se caracteriza pela total ausência de pigmento na pele, no cabelo e nos olhos, afetando a um bebê em cada 20 mil nascimentos. Na Tanzânia, no entanto, uma pessoa é diagnosticada como albina a cada 1.400 indivíduos nascidos vivos.