ONU discute tentativa de assassinato de líder máximo das Farc

(Arquivo) O ex-líder das Farc Rodrigo Londoño

A organização das Nações Unidas avaliou nesta segunda-feira (13) a tentativa de assassinato do líder máximo da ex-guerrilha das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), no último final de semana, como uma prova dos riscos que correm os ex-combatentes colombianos e solicitou mais esforços para protegê-los.

O governo colombiano, por sua vez, explicou à ONU que a desarticulação do atentado seria uma prova do compromisso do presidente Iván Duque em proteger os líderes e ex-guerrilheiros como parte do acordo de paz firmado há três anos.

No último domingo, o anúncio de que as autoridades impediram um ataque a Rodrigo Londoño, conhecido como Timochenko, "demonstra os riscos enfrentados pelos membros das ex-Farc e o próprio acordo de paz, no qual se faz crucial a garantia da segurança", argumentou Carlos Ruiz, representante especial da ONU na Colômbia, ao Conselho de Segurança das Nações Unidas.

"Não será possível alcançar completamente a paz se as fortes vozes dos líderes sociais seguem sendo silenciadas por meio da violência, e se os ex-guerrilheiros que largaram suas armas e estão comprometidos com a reintegração continuam sendo assassinados", ressaltou Ruiz ao Conselho de Segurança, que avalia o acordo de paz na Colômbia.

De acordo com a ONU, desde que o acordo de paz foi firmado, 173 ex-guerrilheiros foram mortos.

As autoridades colombianas indicaram que o ataque frustrado foi ordenado por dissidentes rebeldes, onde oficiais mataram dois homens que planejavam a tentativa de assassinato, a cerca de 1 km da casa de Timochenko.

A ministra das Relações Exteriores, Claudia Brum, comentou que a capacidade do governo em desarticular o ataque seria uma prova "do compromisso sério do presidente" em proteger os ex-guerrilheiros.

Blum também informou que o governo solicitou a ONU que ampliasse o tempo da sua Missão de Verificação na Colômbia até o final do mandato atual presidente, em 2022.

Frustrar o ataque "demonstra o quão completo é o esquema de proteção que temos, o quão comprometido o presidente está em conceder essas garantias" aos ex-guerrilheiros, afirmou Emilio Archila, conselheiro do governo colombiano para a estabilização, ao conversar com jornalistas da ONU.

O ano de 2019 foi o mais violento contra ex-guerrilheiros das FARC desde que o acordo de paz foi assinado há três anos. Até o momento, 77 pessoas foram mortas.

Recentemente, o secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, afirmou que buscará medidas mais eficazes para protegê-los.

"Apoiamos os esforços do governo colombiano para aumentar as proteções" de defensores de direitos humanos, líderes sociais e ex-combatentes "cuja segurança é essencial para uma paz justa e duradoura", disse a embaixadora americano na ONU, Kelly, ao Conselho.