ONU diz que Israel constrói colônias 'em ritmo acelerado'

Colono israelense segura bandeira de Israel com slogans na colônia de Amona, no dia 1º fevereiro de 2017

Israel continua construindo colônias "em um ritmo acelerado", desafiando os pedidos do Conselho de Segurança para por um fim à expansão de assentamentos judaicos, informou nesta segunda-feira (25) o enviado da ONU para o Oriente Médio.

Em um relatório ao Conselho de Segurança, o enviado Nickolay Mladenov acusou o governo do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, de utilizar uma retórica provocativa para apoiar o avanço de novas colônias.

Nos últimos meses, a construção de novas colônias foi realizada sobretudo em Jerusalém oriental, onde há planos de erguer umas 2.300 novas unidades habitacionais, um aumento de 30% com relação ao ano passado, disse o enviado.

"As atividades de assentamentos ilegais de Israel continuam em ritmo elevado, um padrão consistente ao longo do ano", disse Mladenov ao Conselho.

Há nove meses, o Conselho de Segurança adotou uma polêmica resolução, pedindo o fim das colônias. A medida foi aprovada quando os Estados Unidos declinaram a usar seu veto e em seu lugar se absteve.

A votação causou a ira do governo do então presidente eleito, Donald Trump, que reivindicava um veto americano e cujos assessores tinham feito lobby com os integrantes do Conselho para que votassem contra a resolução.

A ONU considera as colônias israelenses ilegais sob a lei internacional e tem pedido reiteradamente para frear sua expansão nas terras que deveriam fazer parte de um futuro Estado palestino.

"Funcionários israelenses continuam usando retórica provocativa em apoio à expansão", disse Mladenov.

Em cerimônia para lançar uma nova construção no mês passado, Netanyahu elogiou a defesa de mais colônias de parte do governo e prometeu "aprofundar nossas raízes, construir, fortalecer e nos assentar".

Altos políticos israelenses fizeram vários apelos para anexar a Cisjordânia, e um membro da Knesset (Parlamento) disse, inclusive, que isto "destruiria" as esperanças de um Estado palestino, segundo Mladenov.

O enviado da ONU informou, ainda, que a demolição de lares e escolas palestinas continua, mas a uma taxa significativamente menor.

No total, 344 edifícios foram destruídos, um terço deles em Jerusalém oriental, com um balanço de mais de 500 pessoas deslocadas, informou.

A construção de colônias israelenses continuou inclusive quando o secretário-geral da ONU, António Guterres, disse, em visita a Israel e aos territórios palestinos em agosto que se deve resgatar a solução de dois Estados.

Mladenov disse que a atual expansão de colônias judias "faz com que a solução de dois Estados seja cada vez mais inalcançável".

Israel proclama o conjunto de Jerusalém como sua capital indivisível. Os palestinos, por sua vez, querem transformar a parte oriental da cidade na capital do Estado que querem criar.