ONU diz que Brasil foi lento ao iniciar buscas por jornalista e indigenista desaparecidos na Amazônia

A porta-voz do Alto Comissariado das Nações Unidas para Direitos Humanos (ACNUDH), Ravina Shamdasani, declarou nesta sexta-feira preocupação com a falta de informação sobre o paradeiro do jornalista britânico Dom Phillips e do indigenista Bruno Pereira. Segundo Shamdasani, o governo brasileiro demorou para iniciar as buscas pela dupla, desaparecida há seis dias no Vale do Javari, no Amazonas.

— Agora, após decisão judicial, as autoridades empregaram mais meios para procurar esses dois homens. Mas inicialmente a resposta das autoridades foi lenta — disse Shamdasani em entrevista coletiva em Genebra, na Suíça.

A porta-voz lembrou que o escritório regional de Direitos Humanos da ONU na América do Sul está monitorando de perto a situação e afirmou que “é crucial que as autoridades federais e locais reajam de maneira robusta, disponibilizando todos os meios e recursos existentes para uma busca eficiente na área remota em questão.”

As Nações Unidas também fazem um apelo “às autoridades brasileiras, para que redobrem os esforços para encontrar Phillips e Pereira”, levando em conta o tempo e os riscos reais para a vida e a segurança de ambos.

Na quarta-feira (8) o Ministério da Defesa havia informado que, no dia anterior, disponibilizou um helicóptero, barcos e uma moto aquática para auxiliar nas buscas pelo indigenista Bruno Araújo Pereira, servidor da Funai, e do jornalista inglês Dom Philips, na região do Vale do Javari, em Atalaia do Norte, no Amazonas. Segundo a pasta, também ontem, apoiou a Polícia Federal com um helicóptero. Bruno Pereira e Dom Phillips estão desaparecidos deste o último domingo (5).

Na entrevista, Shamdasani destacou que o Vale do Javari é o segundo maior território indígena no Brasil e acredita-se que a área tem uma das concentrações mais altas de tribos indígenas isoladas. A zona tem sido bastante afetada pelo tráfico ilegal, pesca e atividades de mineração e tem sofrido também com o aumento de ações de grupos armados.

A representante do Escritório de Direitos Humanos elogiou a atuação de grupos da sociedade civil, pelos esforços para encontrar as vítimas. E reforçou preocupação com os ataques constantes e ameaças a defensores de direitos humanos, ambientalistas e jornalistas no Brasil, "lembrando ser de responsabilidade das autoridades protegê-los e garantir que possam exercer seus direitos, incluindo liberdade de expressão e de associação".

A ONU também pediu mais proteção aos indígenas no Brasil, especialmente os que vivem em áreas isoladas ou sem contato e infirmou que quer a adoção de medidas para garantir o direito à terra, aos territórios e a meios de subsistência, além da proteção de todas as formas de violência e de discriminação por atores estatais e não-estatais.

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