ONU diz que Taliban está interferindo com auxílio humanitário e resistindo a plano financeiro

Chefe de ajuda da ONU, Martin Griffiths

Por Michelle Nichols

NAÇÕES UNIDAS (Reuters) - O Taliban, que governa o Afeganistão, está resistindo às tentativas da ONU de ajudar a levar fundos humanitários ao país e está interferindo na entrega de auxílio, afirmou o líder de ajuda da ONU, Martin Griffiths, ao Conselho de Segurança nesta quinta-feira.

Desde que o grupo islâmico linha-dura assumiu o poder em agosto, quando as forças lideradas pelos EUA se retiraram após duas décadas de guerra, bancos internacionais estão receosos de testar as sanções da ONU e dos EUA, o que deixa a Organização das Nações Unidas e grupos humanitários com dificuldades para transferir dinheiro suficiente para conduzir operações.

“O sistema bancário formal continua bloqueando transferências devido ao risco excessivo, o que influencia nos canais de pagamentos e quebra cadeias de fornecimento”, disse Griffiths aos 15 membros do Conselho de Segurança.

A ONU tem tentado iniciar um sistema --descrito como Mecanismo de Intercâmbio Humanitário (HEF, na sigla em inglês)-- para trocar milhões de dólares de auxílio pela moeda afegã, um plano para conter crises de auxílio e economia e contornar os líderes do Taliban que estão sancionados.

“Nós vemos progresso limitado por causa da resistência das autoridades efetivas. Isso é um problema que não se resolverá sozinho”, afirmou Griffiths, acrescentando que, até o sistema bancário formal do Afeganistão poder operar adequadamente novamente, a ONU precisa colocar em prática o Mecanismo de Intercâmbio Humanitário.

Ele disse que cerca de metade dos grupos humanitários que participaram recentemente de uma pesquisa da ONU relataram dificuldades para transferir fundos para o Afeganistão, menos do que os 87% em outubro, acrescentando: “A direção é positiva, mas o número continua alarmante”.

Autoridades do Taliban também estão interferindo cada vez mais com as entregas de auxílio humanitário, apesar de uma promessa a autoridades da ONU em setembro de que não o fariam, disse Griffiths.

(Reportagem de Michelle Nichols)

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