Xeque da Universidade de al-Azhar diz que religiões não são terroristas

Cairo, 28 abr (EFE).- O xeque da Universidade de al-Azhar, a principal instituição do islã sunita, Ahmad Al Tayeb, afimrou nesta sexta-feira que nem o islã, nem o cristianismo, nem o judaísmo são "religiões terroristas" por causa das ações de alguns fiéis.

"O islã não é uma religião de terrorismo porque uma minoria interpretou mal alguns versículos e começou a matar pessoas e aterrorizar inocentes", disse Al Tayeb na Conferência Internacional de Paz, no Cairo, da qual também participou o pontífice.

O religioso e filósofo acusou "algumas partes", que ele não identificou, de financiar estas pessoas e grupos e disse - sem fazer alusões concretas - que não se pode qualificar o cristianismo de terrorista "porque uma facção carregou a cruz e acabou com a vida das pessoas sem distinguir homens, mulheres, meninos nem prisioneiros".

Por esse e outros exemplos, Al Tayeb pediu que se trabalhe para "limpar a imagem das religiões" destes mal-entendidos e dos "falsos crentes".

No discurso feito depois de se reunir com Francisco, o imã enfatizou que a principal causa dos problemas que o mundo enfrenta é o "tráfico e o comércio de armas" e que a "única solução (para avançar a paz) é recuperar a consciência mediante a mensagem das três religiões monoteístas".

O papa Francisco pediu mais cedo perante líderes muçulmanos "um não forte e claro" a toda violência cometida em nome de Deus e alertou contra a "instrumentalização" da religião por parte do poder. Ele chegou hoje ao Cairo para sua primeira visita a um país de maioria muçulmana. A visita terminará com uma missa amanhã em um estádio da capital egípcia. EFE