ONU: Gangues no Haiti deixam 471 mortos, feridos e desaparecidos em favela em apenas nove dias

Pelo menos 471 pessoas foram mortas, feridas ou estão desaparecidas devido à violência entre gangues em Cité Soleil, uma favela da capital do Haiti, informou a ONU nesta segunda-feira. Os dados referem-se a um período de apenas nove dias, entre 8 e 17 de julho, mas as agências humanitárias relatam que a segurança continua muito frágil na região.

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“O acesso aos cuidados de saúde é limitado ou inexistente, com muitos centros de saúde fechados e pessoal médico com acesso limitado à área, além da falta de comida e água", declarou a Organização das Nações Unidas, em comunicado.

No documento, Ulrika Richardson, coordenadora da ONU no Haiti, também pediu que "todas as partes acabem com a violência mortal e permaneçam comprometidas em manter aberto um corredor humanitário em Cité Soleil, para permitir o acesso desimpedido à assistência humanitária".

Cerca de 3 mil habitantes dessa favela, a área mais pobre da região metropolitana de Porto Príncipe, tiveram de fugir de suas casas, incluindo "centenas de crianças desacompanhadas". Incidentes graves de violência sexual contra mulheres e meninas, bem como crianças recrutadas por gangues, também foram relatados.

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Desde 2021, as gangues criminosas, que se aproveitam de ampla impunidade, ampliaram seus domínios para além das favelas de Porto Príncipe e aumentaram o número de sequestros. Há um mês, também atacaram instituições-chave na capital, como o Palácio da Justiça e a Autoridade Portuária, aproveitando a carência de pessoal e equipamentos na polícia nacional.

Esses grupos armados impedem, regularmente, o acesso aos terminais petroleiros do país, interrompendo o fluxo de combustível e de eletricidade para diversas cidades e ameaçando a vida diária de milhões de pessoas.

O primeiro-ministro Ariel Henry, cuja legitimidade é contestada, ainda não comentou a onda de violência em Cité Soleil. O Haiti está mergulhado em uma crise política desde as últimas eleições no final de 2016. A situação foi agravada pelo assassinato do presidente Jovenel Moïse, em 7 de julho do ano passado, por um comando armado em sua casa.

Agravada pela instabilidade social, a crescente taxa de pobreza do país é uma grande preocupação para a comunidade humanitária. Quase metade dos 11 milhões de cidadãos do país se encontram em situação de insegurança alimentar, incluindo 1,3 milhão à beira da inanição, de acordo com o Programa Mundial de Alimentos (PMA) da ONU.

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