ONU inicia negociações inéditas para proibir armas nucleares

Por Catherine TRIOMPHE
Sede das Nações Unidas, em Nova York, em 14 de agosto de 2003

Mais de 100 países iniciam nesta segunda-feira na ONU negociações inéditas sobre um tratado para proibir as armas nucleares, convictos de que assim se reduzirá o risco de uma guerra atômica, apesar da objeção das grandes potências.

O lançamento destas negociações sobre um tratado legalmente vinculante foi decidido em outubro com o apoio de 123 países membros das Nações Unidas.

A maioria das potências nucleares, tanto as declaradas e as não declaradas, votaram, no entanto, contra essas negociações (Estados Unidos, França, Israel, Reino Unido e Rússia) ou se abstiveram (China, Índia, Paquistão).

Até o Japão, o único país a sofrer um ataque nuclear em 1945, votou não nas negociações, preocupado com a falta de consenso a respeito.

Mas a recusa desses países não dissuadiu as nações que defendem a iniciativa, como Brasil, Áustria, Irlanda, México África do Sul e Suécia, nem as centenas de ONGs comprometidas com a causa.

"Isso levará tempo, não sejamos ingênuos", comentou a ministra sueca das Relações Exteriores, Margot Wallström.

"Mas é muito importante, principalmente neste momento em que assistimos a todo tipo de discurso de demonstração de força que inclui a ameaça de uso das armas nucleares", enfatizou.

A primeira fase dessas negociações tem final previsto para 7 de julho.