ONU investiga acusações de espionagem do Egito a participantes da COP27

As autoridades das Nações Unidas responsáveis pela segurança da cúpula anual do clima em Sharm el-Sheikh disseram, nesta segunda-feira (14), que estão investigando acusações de alguns participantes de que foram espionados pela polícia egípcia.

Vários participantes da COP27, incluindo ativistas, especialistas e ONGs, disseram que se sentiram sob "vigilância" durante a cúpula, que começou em 6 de novembro na cidade egípcia situada às margens do Mar Vermelho.

O Departamento de Segurança das Nações Unidas, que trabalha junto com a polícia egípcia nesta cúpula, afirmou hoje que foi informado de "acusações" de violações do código de conduta e que está "investigando essas alegações".

As acusações vieram depois que a delegação alemã realizou um evento com Sanaa Seif, irmã do dissidente pró-democracia Alaa Abdel Fattah, preso e em greve de fome.

Sete meses depois de iniciar a greve de fome, Abdel Fattah passou a recusar a ingestão de líquidos desde 6 de novembro, coincidindo com o início da COP27 em Sharm el-Sheikh, para protestar contra a situação que ele e outros 60.000 presos políticos enfrentam no Egito.

O detido egípcio-britânico escreveu uma carta à família na qual afirma estar "bem" e que, desde o sábado, está "bebendo de novo", disse nesta segunda-feira seu advogado, Ali Khaled.

Sanaa Seif foi repreendida em duas coletivas de imprensa por participantes do governo, que lhe disseram que seu irmão é um "criminoso" e não um "prisioneiro político".

O Egito tentou melhorar sua imagem ao sediar a conferência sobre mudança climática, mas foi criticado durante o evento por sua política de direitos humanos.

Uma fonte diplomática alemã disse que uma queixa foi feita ao Egito, porque a delegação "sentiu que estava sendo observada".

Liane Schalatek, do Heinrich Boll Stiftung, afirmou que se sentiu "observada" e "claramente mais desconfortável do que em qualquer COP anterior".

Schalatek, especialista em finanças climáticas que participa dessas reuniões da ONU desde 2008, disse que havia câmeras nas salas de reunião em Sharm el-Sheikh, voltadas para os rostos dos participantes.

"É tão desnecessário quanto incomum para reuniões de coordenação interna", afirmou. "E a possibilidade de que tudo esteja sendo gravado não pode ser descartada", acrescentou.

A Human Rights Watch já havia condenado a política de "vigilância total" do Egito, que incluía a instalação de câmeras em centenas de táxis em Sharm el-Sheikh.

O grupo com sede em Nova York também alertou que o aplicativo para smartphone da COP27 levanta suspeitas de "vigilância", pois exige acesso à câmera, microfone e geolocalização do dispositivo.

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