ONU investigará bombardeios a hospitais na Síria

Secretário-geral da ONU Antonio Guterres

O secretário-geral da ONU, António Guterres, anunciou nesta sexta-feira (13) que criou uma comissão de investigação sobre os bombardeios hospitalares na Síria que haviam entregue suas coordenadas geográficas para não serem atacados.

Essa comissão investigará "sobre uma série de incidentes ocorridos no nordeste da Síria" desde que Rússia e Turquia estabeleceram uma zona de desescalada em Idlib em 17 de setembro de 2018, informou o comunicado da ONU.

A investigação deverá "estabelecer os fatos para o secretário-geral"; não é uma "investigação criminosa" e suas conclusões não se tornarão públicas, explicou o porta-voz da ONU, Stéphane Dujarric, sem dar um prazo para que essa comissão entregue o relatório.

Guterres "convoca todas as partes interessadas em prestar sua plena cooperação à comissão", que iniciará seus trabalhos em 30 de setembro, acrescentou o comunicado.

A instância será dirigida por um general da Nigéria, Chikadibia Obiakor, e compreenderá os outros dois nomes, Janet Lim, de Singapura, e Maria Santos Pais, de Portugal. Dois especialistas farão assessoria: um general peruano, Fernando Ordóñez, e um ex-responsável da Cruz Vermelha Internacional, Pierre Ryter, de nacionalidade suíça.

Dezenas de instalações médicas foram destruídas pelos bombardeios desde a primavera. A Rússia desmentiu que tenha como objetivo instalações civis.

A organização Human Rights Watch reclamou que a comissão estabeleça de maneira "rápida as responsabilidades dos ataques" e que suas conclusões se tornem públicas.

A embaixadora do Reino Unido na ONU, Karen Pierce, saudou por sua vez a criação da comissão.

"Os acontecimentos nas regiões de Hama e de Idlib no noroeste da Síria são uma repetição das táticas militares já utilizadas pelas forças sírias em Aleppo e em Guta oriental", denunciou, reiterando seu apoio a resolução que está em negociação na ONU para pedir o cessar-fogo no nordeste.