ONU lança eleição de secretário-geral, Honduras pede uma mulher

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Antonio Guterres em 4 de fevereiro de 2020 em Nova York

O Conselho de Segurança e a Assembleia Geral da ONU lançaram nesta quinta-feira (4) o recrutamento para eleger um secretário-geral para o período 2022-2026, mandato ao qual aspira o atual chefe da organização, António Guterres, enquanto Honduras exige candidaturas femininas.

O ex-primeiro-ministro de Portugal, de 71 anos, conta com amplo apoio na Assembleia e no Conselho, especialmente dos cinco membros permanentes (Estados Unidos, Rússia, China, França e Reino Unido), fundamental para renovar seu mandato por mais cinco anos.

Várias ONGs, entretanto, criticam sua gestão e consideram que ele não tem feito o suficiente para defender os direitos humanos no mundo.

Em uma carta endereçada aos 193 membros da ONU à qual a AFP teve acesso, a Assembleia Geral e o Conselho de Segurança convocam a apresentação de candidatos "antes que o Conselho comece sua seleção entre agora e maio ou junho".

De acordo com a Carta da ONU, o Conselho deve recomendar um candidato à Assembleia, que é então formalmente nomeado.

Em 2016, a ONU instalou um processo que busca maior transparência e que proporciona audiências dos candidatos.

“Os candidatos devem possuir habilidades comprovadas de liderança e gestão, ampla experiência em relações internacionais e fortes habilidades diplomáticas e de comunicação além de ser multilíngue”, afirma a carta enviada aos membros da ONU.

Guterres, ex-comissário da ONU para Refugiados de 2005 a 2015, postulou a um segundo mandato em 11 de janeiro. Ninguém mais apresentou sua candidatura até agora. Desde a criação da ONU em 1945, todos os secretários-gerais foram homens.

Em carta aos membros da ONU na quarta-feira, obtida pela AFP, Honduras pede a apresentação de candidatas.

“Convido você e os Estados que os representam a honrar genuinamente seus compromissos com a ONU e a apresentar candidatas, em conformidade com os mais altos padrões de eficácia, competência e integridade”, escreveu a embaixadora de Honduras na ONU, Mary Elizabeth Flores Flake.

Trata-se de “iniciar um processo de nomeação onde a igualdade e a inclusão são possíveis e são a norma”, acrescentou.

Em 2018, Flores concorreu como candidata a presidir a Assembleia Geral da ONU, mas perdeu para a ex-chanceler equatoriana María Fernanda Espinosa, a primeira mulher latino-americana a presidir a Assembleia.

Flores, ex-deputada e a primeira mulher a se tornar embaixadora de seu país na ONU, é filha do ex-presidente hondurenho Carlos Flores (1998-2002).

Durante sua campanha para a presidência da Assembleia Geral, ela disse que, se eleita, sua prioridade seria a defesa das crianças.

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