ONU: milhares de civis fugiram dos bombardeios na Síria esta semana

Moradores de Al-Bara, na província de Idlib, observam os danos causados pelo bombardeio do governo Assad e seu aliado russo, em 7 de dezembro de 2019

Milhares de civis fugiram dos bombardeios do governo de Bashar al-Assad e de seu aliado russo na província síria de Idlib (noroeste) desde o início desta semana, informou o Escritório de Coordenação de Assuntos Humanitários da ONU (OCHA), nesta sexta-feira (20).

"Diante da intensificação dos ataques aéreos e dos bombardeios desde 16 de setembro no sul de Idlib, milhares de civis fugiram da região de Maaret al-Numan (...) para o norte da província. Outros milhares esperam que os bombardeios diminuam para ir embora", declarou o OCHA (na sigla em inglês) em um comunicado.

O comunicado do OCHA coindidiu com uma informação do Observatório Sírio para os Direitos Humanos (OSDH), que indicou que os confrontos entre as forças do regime sírio e grupos armados de Idlib, o maior feudo da oposição do país, causaram a morte de 80 pessoas nas últimas 24 horas.

O OSDH também observou que a força aérea russa, aliada do regime sírio, bombardeou a vizinhança de Maaret al Numan e de Saraqeb.

Os ataques causaram a fuga de muitos habitantes de áreas próximas, segundo um correspondente da AFP em Maaret al Numan.

Segundo o OCHA, a escassez de gasolina para veículos particulares está limitando o movimento de civis, enquanto as estradas que levam à cidade são "extremamente perigosas" porque, aparentemente, estão sendo atingidas pelos bombardeios.

"Desde a noite de 19 de dezembro, os habitantes da cidade de Maaret al Numan [...] começaram a dizer às equipes humanitárias que queriam ir para algum lugar seguro, mas não podiam sair por causa do forte bombardeio aéreo", informou a agência da ONU.

"Estima-se que, nas últimas 72 horas, dezenas de milhares de pessoas fugiram e que milhares de pessoas esperaram uma interrupção dos bombardeios para sair com segurança", acrescentou.

Segundo o OCHA, há cerca 163 mil pessoas em Maaret al Numan e nas redondezas, e que "centenas de famílias fugiram para o norte" nesta sexta-feira.

A região de Idlib, onde vivem cerca de três milhões de pessoas, incluindo muitas deslocadas pela guerra civil síria, está nas mãos do grupo Hayat Tahrir al Sham, que integrava à Al Qaeda.

As forças pró-governo lançaram uma ofensiva nessa região em abril e mataram cerca de mil civis. Além disso, mais de 400 mil pessoas tiveram que deixar suas casas.

Desde agosto, supostamente, a região conta com a proteção de um cessar-fogo anunciado por Moscou, mas o regime de Bashar Al Asad ameaçou várias vezes retomá-la. Segundo o OSDH, os atentados nessa área não cessaram.