Grandes empresas dos EUA apostam no Acordo de Paris apesar de Trump

Miriam Barchilón.

Washington, 25 abr (EFE).- As 500 maiores empresas dos Estados Unidos apostaram em cumprir as metas ambientais do Acordo de Paris para serem mais eficazes e combater a mudança climática, apesar de o presidente do país, Donald Trump, parecer decidido a abandonar o pacto.

Essa postura foi confirmada nesta terça-feira pela organização ecologista World Wildlife Fund (WWF), que junto a outros grupos publicou o relatório "Power Forward 3.0", que analisa os esforços e o compromisso com o meio ambiente das empresas da lista Fortune 500.

Segundo o estudo, quase metade destas companhias evitaram a emissão de mais de 155 milhões de toneladas métricas de dióxido de carbono à atmosfera em 2016, o que equivale a eliminar a contaminação anual de 45 centrais elétricas que utilizam carvão.

Esta aposta em energias limpas também representou para as empresas uma economia de US$ 3,7 bilhões anuais.

Para a organização ecologista, estes dados demonstram que o setor privado americano está avançando na transição para uma economia de baixo carbono, energia limpa e eficácia energética, o que aproxima o país de cumprir as metas contidas no Acordo de Paris, "apesar da atitude contrária do governo de Trump".

"A energia limpa está alimentando as oportunidades econômicas de costa a costa (dos Estados Unidos) sem importar a ideologia do partido que governa em cada estado", assegurou o diretor do departamento de Clima e Energias Renováveis da WWF, Marty Spitzer.

"As políticas de Washington podem atrasar este auge, mas estas companhias estão deixando muito claro que uma transição a uma economia de baixo carbono é inevitável", acrescentou.

Quase metade das empresas da lista Fortune 500 de 2016 fixaram metas para reduzir as emissões de gases de efeito estufa, melhorar a eficiência energética e aumentar a fonte de energia renovável em 5% em comparação ao último relatório realizado há dois anos.

A WWF destacou que 63% das 100 maiores empresas de Estados Unidos lideraram os esforços para se tornarem mais limpas, enquanto as 100 menores do ranking também mostraram uma melhoria importante, e as energéticas, entre as quais está a maioria das empresas de petróleo e gás, registraram as porcentagens mais baixas de compromisso verde.

De fato, apenas 11% do setor da energia estabeleceu objetivos ecológicos, o que evidenciou um retrocesso de 14 pontos em relação a 2014.

No entanto, no outro lado do espectro se situou o setor de bens de consumo, com 72% de suas empresas com objetivos estabelecidos, seguido de perto pela indústria de materiais, serviços, manufatura, tecnologia e telecomunicações.

Em geral, 48% dos integrantes da lista Fortune 500 contaram desde o ano passado com objetivos climáticos e energéticos, 5% a mais que no relatório anterior, e os cumprem.

Quase a mesma porcentagem, "atraídos pela queda dos custos da energia renovável", se comprometeram a impulsionar todas suas operações corporativas com energia limpa, principalmente eólica e solar, quando anos atrás isso era uma exceção.

"As empresas americanas estão liderando a transição para uma economia limpa porque é um negócio inteligente e é o que os clientes exigem", explicou Spitzer.

Em média, as companhias reportaram ter alcançado ou superado 81% de seus objetivos a tempo, o que significou reduções reais das emissões.

Mas, para a WWF, as empresas devem continuar com estes esforços e estabelecer e implementar metas científicas para reduzir as emissões de gases de efeito estufa e aumentar a energia renovável e a eficiência energética em suas operações, além de estabelecer "objetivos ambiciosos".

As empresas deveriam, segundo o estudo, acelerar a implementação e contratação de energia eólica e solar antes que se reduzam nos próximos anos os incentivos fiscais federais para ambas tecnologias, algo que se espera que aconteça com Trump.

As organizações ecologistas também recomendaram às empresas serem mais transparentes em suas emissões e seus objetivos, assim como nas implicações financeiras de suas medidas. EFE