ONU pede ao Irã que não use força 'desnecessária' durante protestos

Imagem de arquivo: uma motocicleta da polícia queima durante protesto por conta da morte de Mahsa Amini, em Teerã.

Por Michelle Nichols

SEDE DA ORGANIZAÇÂO DAS NAÇÕES UNIDAS (Reuters) - O secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, apelou nesta sexta-feira para que as forças de segurança iranianas se abstenham de usar "força desnecessária ou desproporcional" contra os protestos contrários ao governo desencadeados pela morte de uma mulher sob custódia policial.

Ele também pediu a todos que exerçam moderação para evitar mais escalada, disse o porta-voz de Guterres, Stephane Dujarric.

"Estamos preocupados com relatos de protestos pacíficos sendo enfrentados com uso excessivo de força, levando a dezenas de mortos e feridos", disse Dujarric a repórteres em Nova York. "Pedimos ainda às autoridades que respeitem o direito às liberdades de expressão, reunião pacífica e associação".

Guterres levantou a questão dos direitos humanos com o presidente iraniano Ebrahim Raisi na quinta-feira durante uma reunião entre os dois nos bastidores do encontro anual de líderes mundiais nas Nações Unidas, disse Dujarric.

Os iranianos estão enfurecidos com o caso de Mahsa Amini, de 22 anos, que morreu na semana passada depois de ser presa pela polícia moral por usar "trajes inadequados".

Guterres pediu "uma investigação rápida, imparcial e eficaz por uma autoridade competente independente" sobre a morte de Amini, disse Dujarric.

A ONU também instou as autoridades iranianas a respeitar os direitos das mulheres e implementar medidas eficazes para protegê-las de outras violações dos direitos humanos.

Manifestações organizadas pelo Estado ocorreram em várias cidades iranianas na sexta-feira para combater os distúrbios em todo o país, com apoiadores do governo pedindo a execução dos manifestantes, que foram chamados de "agitadores".