Promotoria do Equador abre investigação contra Correa por ligação com as FARC

Quito, 25 abr (EFE).- A Promotoria do Equador abriu uma investigação preliminar contra o ex-presidente Rafael Correa, pelo suposto financiamento ilegal das FARC a uma das suas campanhas eleitorais, segundo uma versão jornalística baseada no depoimento de uma testemunha protegida.

A Secretaria Nacional de Comunicação (Secom) da Presidência do Equador informou nesta quarta-feira em comunicado que seu titular, Andrés Michelena, apresentou no último dia 20 ao Ministério Público um pedido de "ação fiscal urgente" para investigar o caso.

Este pedido é motivado em um vídeo apresentado no dia 18 pelo jornalista de uma rede internacional de televisão, durante uma entrevista com o presidente equatoriano, Lenín Moreno, no Palácio do Governo.

Nestas imagens, uma suposta testemunha protegida afirma ter entregue dinheiro proveniente da ex-guerrilha colombiana Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) à campanha presidencial de Correa.

"Isto nos permite concluir que existem motivos suficientes para iniciar investigações que determinem o possível cometimento de um crime de ação pública", afirmou a Secom, através de um comunicado.

Ele assegurou que após a solicitação apresentada por Michelena, o procurador da Unidade de Indagações Prévias e de Instruções Fiscais da Promotoria Geral do Estado, Washington Burbano, ordenou a abertura da investigação prévia e a execução da primeira diligência neste caso.

De acordo com o texto da Secom, no decorrer da entrevista com o presidente Moreno, o jornalista contou ao líder que o depoimento do informante foi "obtido na Colômbia em outubro de 2016".

Nesse vídeo, o jornalista contou que um suposto ex-guerrilheiro das FARC, "que estava no comando de alguns laboratórios de cocaína do grupo criminoso e quem também desenhava rotas para o tráfico de drogas da Colômbia até o Equador", declarou que "as FARC teriam financiado, com pelo menos US$ 500 mil, uma das campanhas presidenciais de Rafael Correa".

Além disso, a suposta testemunha disse que o dinheiro foi entregue "por meio do político equatoriano Paco Velasco", enquanto o jornalista esclareceu que a identidade do declarante foi confirmada pela emissora "CNN" e que supostamente figurava nas listagens do governo da Colômbia dos guerrilheiros desmobilizados.

Velasco, em declarações recentes, negou categoricamente que tenha recebido dinheiro das FARC e rejeitou as acusações contra ele.

Durante a entrevista, o presidente Moreno, antigo correligionário de Correa e agora rival, pediu que as autoridades do seu país verifiquem a autenticidade do vídeo sobre a suposta entrega de dinheiro das FARC para as campanhas presidenciais do seu antecessor, do que foi o seu vice-presidente entre 2007 e 2013.

Em julho de 2009, o então procurador-geral da Colômbia, Mario Iguarán, disse que havia evidências nos computadores do líder guerrilheiro "Raúl Reyes", morto em solo equatoriano em uma operação colombiana, que permitiu "inferir" supostos vínculos de dois ex-funcionários do Equador com as FARC. EFE