ONU pede investigação sobre mais de 210 mortes violentas no Sudão

Sudaneses verificam as consequências da violência no sul de Darfur em fevereiro de 2021 (AFP/ASHRAF SHAZLY) (ASHRAF SHAZLY)

Pelo menos 213 pessoas foram assassinadas em quatro dias de violência em Darfur, no oeste do Sudão, segundo as autoridades desta região, fatos que levaram a ONU a pedir uma investigação "rápida" e independente".

Segundo a Coordenação Geral para os Refugiados e Desabrigados de Darfur, a violência começou na sexta-feira (22), quando combatentes de tribos árabes atacaram as aldeias Massalit, uma minoria étnica, em represália pela morte de dois de seus membros na quinta-feira.

Os atos de violência começaram na localidade de Krink, habitada majoritariamente por membros da tribo Massalit, e se estenderam até a capital do estado de Darfur Ocidental, Geneina, no centro-oeste do país.

Os fatos mais graves aconteceram no domingo, com "201 mortos e 13 feridos", explicou o governador de Darfur Ocidental, Khamis Abkar, em um vídeo divulgado na terça-feira.

Em sua mensagem, o governador acusou as forças governamentais encarregadas de proteger a cidade de Krink de "se retirar sem nenhuma justificativa" quando os combates se agravaram no domingo.

Os confrontos continuaram nesta quarta-feira, especialmente em Geneina, onde foram ouvidos "fortes tiros", causando pânico, segundo a ONG Coordenação Geral para Refugiados e Deslocados em Darfur, em comunicado de Adam Regal, seu porta-voz.

De Genebra, Michelle Bachelet, a Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, pediu às autoridades sudanesas, em um comunicado, investigações "rápidas, imparciais e independentes sobre os ataques, e que exijam uma prestação de contas a todos os responsáveis".

De sua parte, a ONG Médicos Sem Fronteiras (MSF) denunciou que alguns hospitais foram atacados e que morreram vários membros da equipe médica.

Algumas testemunhas acusaram a milícia janjawid de violência, uma força integrada às forças armadas do governo sudanês.

Em 2003, Darfur foi cenário de um conflito entre rebeldes de uma minoria étnica e o governo, de maioria árabe, que acabou com a vida de 300 mil pessoas e obrigou 2,5 milhões de habitantes a abandonar seus lares, segundo dados das Nações Unidas.

Depois de sair, em 2019, de 30 anos da ditadura de Omar al Bashir, o golpe de Estado do general Abdel Fattah Al Burhan, em 25 de outubro de 2021, mergulhou ainda mais o país em um mar de crise política e econômica.

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