ONU pede investigação sobre chacina no Complexo do Salgueiro, no RJ

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People observe as firefighters transport dead bodies found by residents in a forest after a police operation in Salgueiro slums complex in Sao Goncalo near Rio de Janeiro, Brazil, November 22, 2021. REUTERS/Ricardo Moraes
Moradores relataram sinais de tortura nos corpos encontrados no mangue no Complexo do Salgueiro (Foto: REUTERS/Ricardo Moraes)
  • ONU pediu investigação independente sobre chacina no Complexo do Salgueiro

  • Ao menos nove pessoas foram assassinadas e moradores relatam finais de tortura nos corpos

  • Alto Comissariado da ONU para Direitos Humanos lembrou decisão do STF de impedir operação deste tipo durante a pandemia

O Alto Comissariado da ONU para Direitos Humanos pediu para que seja feita uma investigação, em um processo independente, sobre a chacina que ocorreu ao longo do fim de semana no Complexo do Salgueiro, no Rio de Janeiro.

Na última segunda-feira (22), famílias tiraram corpos das vítimas da região do mangue após policiais fazerem uma intervenção na comunidade. Até o momento, nove corpos foram encontrados.

No sábado, um policial militar, Leandro da Silva, morreu durante operação no Complexo do Salgueiro e, no dia seguinte, diversos moradores foram assassinados. Familiares e amigos falaram em sinais de tortura nos corpos encontrados. A suspeita é que a chacina tenha sido uma retaliação.

Segundo o Uol, o Alto Comissariado da ONU mostrou preocupação com o ocorrido e pediu a identificação dos responsáveis. “Nosso escritório pede ao Ministério Público que conduza uma investigação independente, completa, imparcial e eficaz sobre essas mortes, de acordo com padrões internacionais”, declarou a porta-voz da entidade, Marta Hurtado.

A ONU ainda afirmou que importante fazer um debate amplo a inclusivo sobre o modelo de policiamento nas favelas brasileiras. O Alto Comissariado reforçou que a operação da polícia aconteceu mesmo com uma decisão do Supremo Tribunal Federal em vigor, que determina que ações deste tipo não aconteçam durante a pandemia de covid-19.

“A força letal é o último recurso e apenas em caso de ameaça à vida”, declarou a entidade. A PM, questionada sobre a operação falou em "confronto" com pessoas envolvidas com o tráfico de drogas. 

Sinais de tortura

Segundo a TV Globo, moradores das Palmeiras classificam a ação policial como uma chacina. “Os corpos estão todos jogados no mangue, com sinais de tortura. As pessoas, uma jogada por cima da outra. Estava com sinal totalmente de chacina mesmo”, revelou um morador do local.

Outra moradora afirmou que muitos conhecidos foram mortos pelos PMs. “A gente estava gritando no mangue para ver se consegue tirar, mas todos mortos”, disse.

À TV Globo, uma terceira moradora disse que as mães das vítimas estão entrando na região do mangue para resgatar os corpos. “As mães estão entrando dentro do mangue. Com o mangue acima do joelho para poder tentar puxar os corpos”, detalhou à TV Globo.

Ao jornal Extra, outra pessoa que vive no local revelou que, entre as vítimas, havia pessoas envolvidas com o crime, mas também “pais de família”. Além disso, o morador revelou que não foram encontradas armas junto aos corpos.

“Tinham pessoas envolvidas com o crime? Tinham. Mas a grande maioria não tem nada com o fato. Muitas pessoas estão desfiguradas. Se eles tivessem a intenção de prender, não teriam feito isso. Quem correu se salvou. Essas mortes aconteceram de ontem para hoje. (Os policiais militares) passaram de sábado para domingo e ontem durante o dia eles saíram e voltaram. Se fosse troca de tiros, os jovens não estariam assim. Eles fizeram uma chacina. Resgatamos os corpos e não achamos nenhuma arma. Morreu um PM em um dia e no outro eles fizeram uma chacina."

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