ONU pede que líderes africanos 'não se agarrem ao poder'

O secretário-geral da ONU participa da Reunião de Cúpula de Chefes de Estado da União Africana, na Etiópia

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, pediu nesta sexta-feira, em Adis Abeba, que os líderes africanos não se agarrem ao poder, e deixem o cargo ao fim de seus mandatos, durante a cúpula de chefes de Estado da União Africana (UA).

"Compartilho o temor" gerado pela rejeição dos líderes em "abandonar suas funções ao fim de seus mandatos", declarou em seu discurso.

"As mudanças na Constituição não democráticas e os vazios jurídicos não devem ser utilizados para se agarrar ao poder", acrescentou.

O presidente de Burkina Faso, Blaise Compaoré, no poder há 27 anos, se viu obrigado a renunciar em outubro por manifestações populares, depois de ter tentado modificar a Constituição para um novo mandato.

"Peço a todos os líderes da África e do mundo que escutem seu povo. Os líderes modernos não podem se permitir ignorar os desejos e aspirações daqueles que representam", acrescentou Ban.

Na República Democrática do Congo (RDC) as autoridades precisaram retirar em meados de janeiro a parte mais controversa de um projeto de lei eleitoral, que teria significado um adiamento das presidenciais e, como consequência, a permanência no cargo do presidente Joseph Kabila.

No Burundi, uma tentativa de suspensão do limite constitucional do número de mandatos fracassou em março de 2014.

Outros chefes de Estado, em Ruanda, Togo ou Congo-Brazzaville, são suspeitos de querer modificar suas Constituições para permanecer no poder.

O presidente do Zimbábue, Robert Mugabe, de quase 91 anos e no poder desde a independência de seu país, em 1980, foi designado nesta sexta-feira como novo presidente em exercício da UA, constatou a AFP.