ONU pede livre acesso de ajuda à Etiópia em meio a 'imensa crise humanitária'

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O secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, em Genebra, em 13 de setembro de 2021 (AFP/Fabrice COFFRINI)
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A Etiópia vive uma "imensa crise humanitária", afirmou nesta quarta-feira o secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, perante o Conselho de Segurança, exigindo que autoridades permitam o acesso "sem obstáculos" à ajuda, uma semana após a expulsão de sete funcionários da organização.

"O país enfrenta uma imensa crise humanitária, que exige atenção imediata", o que "torna particularmente preocupante a decisão do governo etíope, na quinta-feira passada, de expulsar sete funcionários da ONU, a maioria deles humanitários", destacou.

"Essa expulsão sem precedentes deveria ser um tema de grande preocupação para todos nós, pois afeta o cerne das relações entre a ONU e os Estados membros", afirmou, depois de chamar a medida de ilegal e contrária à Carta das Nações Unidas.

Segundo a ONU, “ao menos 5,2 milhões de pessoas precisam de ajuda humanitária no Tigré”, província etíope em guerra desde novembro. A ajuda também é necessária nas províncias de Amhara e Afar, indicou Guterres.

O único corredor para de acesso ao Tigré está em Afar, onde “os movimentos são muito limitados, devido a controles oficiais e não oficiais, à insegurança e a outros obstáculos e desafios”.

Na última sexta-feira, o Conselho de Segurança se reuniu em caráter de urgência para discutir a expulsão de sete funcionários da ONU por autoridades etíopes, que os acusaram de "interferência nos assuntos internos" do país e manipulação política da ajuda humanitária.

- Bola de neve -

Estados Unidos, Irlanda, Estônia, Noruega, Reino Unido e França solicitaram uma nova reunião urgente nesta quarta-feira, depois que o Conselho de Segurança não concordou na sexta sobre uma declaração que Dublin havia proposto. Rússia e China se opuseram após Moscou multiplicar os questionamentos a respeito do papel dos funcionários.

Na sexta-feira, o subsecretário-geral da ONU para Assuntos Humanitários, Martin Griffiths, cujas declarações recentes sobre o "bloqueio" da ajuda e o risco crescente de fome podem estar na raiz da crise, denunciou "falsas acusações" da Etiópia. "Mas quando lhe perguntamos quais, ele não nos informou", disse à AFP um embaixador, que não quis ser identificado.

Da mesma forma, os membros africanos do Conselho se oporiam a que esse dossiê caísse nas mãos dessa instância da ONU.

Vários diplomatas concordam agora que é necessário "resolver" o problema da expulsão de funcionários da ONU, "estabilizar a situação, recuperar a confiança entre o sistema da ONU, a comunidade humanitária e o governo etíope".

“Se a situação na Etiópia não for esclarecida, pode se criar um efeito bola de neve” e abrir um precedente para outras situações muito delicadas, como em Mianmar ou no Afeganistão, explicou um embaixador, que assegurou que “muitos membros do Conselho manifestaram esses temores” nos últimos dias.

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