ONU pede que promessa de eleições na Líbia seja cumprida

Nina LARSON con Hamza MEKOUAR en Rabat
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Foto disponibilizada pela Organização das Nações Unidas (ONU) do Fórum de Diálogo Político da Líbia, em 1 de fevereiro de 2021, perto de Genebra

Os participantes do diálogo entre as partes em conflito na Líbia, que se reúnem esta semana na Suíça para eleger um novo primeiro-ministro e um Conselho Presidencial, "devem cumprir a todo custo" sua promessa de realizar eleições até o final do ano - declarou a ONU.

"Os participantes colocaram uma marca indelével no calendário para eleições nacionais em 24 de dezembro deste ano. Esta decisão foi amplamente apoiada por seus compatriotas e é um compromisso que deve ser mantido a todo custo", afirmou Stephanie Williams, que ainda lidera as negociações, apesar da recente nomeação de seu sucessor à frente da missão da ONU na Líbia (Manul), o eslovaco Jan Kubis.

Williams falou para 75 delegados que, após ouvirem o hino nacional da Líbia, reuniram-se em uma sala de conferências, cujo local permanece secreto.

"O povo líbio apoia vocês. Apoia e deseja sucesso. Precisa que tenham sucesso. Não o decepcione", disse Williams.

Os delegados de todos os partidos têm até sexta-feira para escolher as personalidades de uma lista de 45 candidatos revelada no sábado pela Manul.

Os candidatos começaram se apresentando por videoconferência e respondendo a perguntas, cada um com um total de 20 minutos.

Os delegados "vão votar para eleger o Conselho Presidencial, que será composto por três membros e um primeiro-ministro, coadjuvado por dois vices", segundo a ONU.

Este conselho de transição terá como missão "reunificar as instituições do Estado e garantir a segurança" até às eleições.

A Líbia está mergulhada no caos desde a queda do regime de Muammar Khadafi em 2011, após uma revolta popular.

Duas autoridades disputam o poder: de um lado, no oeste, o Governo de Unidade Nacional (GNA) de Fayez al-Sarraj, reconhecido pela ONU e apoiado pela Turquia; de outro, um poder personificado por Khalifa Haftar, o homem forte do leste do país, apoiado, sobretudo, pela Rússia e pelos Emirados Árabes Unidos.

- Retomada da produção de petróleo -

Após o fracasso de uma ofensiva lançada pelo marechal Haftar em abril de 2019 para conquistar Trípoli - após mais de um ano de combates às portas da capital -, os dois lados concluíram um cessar-fogo em outubro e retomaram o diálogo, incentivados pela ONU.

Desde então, a produção de petróleo, um setor-chave da economia, teve uma recuperação significativa.

O diálogo inter-líbio começou na Tunísia em novembro de 2020 em uma tentativa de tirar o país da crise.

A lista de candidatos ao Conselho Presidencial, que inclui três mulheres, foi aprovada pelos participantes do diálogo.

No oeste, o poderoso ministro do Interior do GNA, Fathi Bachagha, concorre ao cargo de primeiro-ministro, assim como o empresário e vice-presidente do Conselho Presidencial Ahmed Meitig.

O presidente do Conselho Superior do Estado (equivalente a uma câmara alta), Khaled Al-Mechri, concorre como candidato ao Conselho Presidencial.

No leste, o advogado e presidente do Parlamento de Tobruk, Aguila Saleh, está concorrendo a primeiro-ministro.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, saudou os progressos nas negociações, mas reiterou seu apelo à saída dos militares e mercenários estrangeiros presentes no país. Eles deveriam ter deixado o território até 23 de janeiro, em virtude do acordo de cessar-fogo.

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